Um ‘primo’ bem mais próximo

Sequenciamento genético do macaco bonobo é 98,7% igual ao dos seres humanos. Foi a conclusão do Instituto Max Planck de Leipzig, na Alemanha, que apresentaram os resultados das pesquisas sobre o primata

Estadão

14 Junho 2012 | 00h02

(Foto: AP) Sequenciamento do bonobo é inédito

O sequenciamento genético do macaco bonobo é 98,7% igual ao dos seres humanos. Foi a conclusão dos cientistas do Instituto Max Planck de Leipzig, na Alemanha, que apresentaram os resultados das pesquisas sobre o “primo” mais pacífico, brincalhão e sexualmente liberal do homem.

Para chegar a esta conclusão, o pesquisador Svante Pääbo e sua equipe analisou o genoma de Ulindi, uma fêmea bonobo que vive no jardim zoológico de Leipzig. Os genomas dos chimpanzés, dos orangotangos e dos gorilas já tinham sido sequenciados. Só faltava completar a lista dos grandes símios, com o dos bonobos.

Os cientistas descobriram que estamos bem próximos geneticamente de Ulindi. Bonobos e humanos têm o mesmo porcentual genético compartilhado pelos humanos com os chimpanzés, de acordo com o estudo.

“Os dois macacos têm uma relação muito mais estreita entre si – compartilham 99,6% de seus genomas”, afirmou Kay Prufer, geneticista do Instituto Max Planck.

Mas os dois símios contrastam em alguns pontos. Por exemplo, enquanto os bonobos são pacíficos, brincalhões, os chimpanzés são mais agressivos.

Bonobos compartilham comida com estranhos, mas os chimpanzés, não. Bonobos são sexualmente “liberais”, ficam perto de suas mães – que, inclusive, escolhem os companheiros de seus filhos – muito depois da infância, como os humanos. São governados por mulheres alfa. Já os chimpanzés, por machos.

Os cientistas esperam, agora, que a genética permita perceber melhor as raízes evolutivas dessas diferenças comportamentais.

Os novos resultados incluem uma comparação dos genomas dos bonobos, dos chimpanzés e dos humanos. E mostram que a diferença entre o DNA do homo sapiens e os de cada uma dessas duas espécies de símios é de cerca de 1,3%. Ou seja, os humanos encontram-se geneticamente à mesma “distância” dos dois símios.

Quanto aos chimpanzés e aos bonobos – espécies que divergiram, na árvore evolutiva da vida, há dois milhões de anos –, os seus genomas são menos distantes, diferindo em apenas 0,4%.

Agora, é saber se as regiões identificadas estão relacionadas com as semelhanças e as diferenças de comportamento observados entre as três espécies.

Bonobos correm risco de extinção e vivem apenas na região da República Democrática do Congo. O estudo será publicado hoje, na revista científica Nature.