A bordo do NAp Oc Ary Rongel

Estadão

23 Novembro 2009 | 14h17

Embarquei no domingo, 22, mais ou menos na hora do almoço, e estou blogando, agora a partir da rede wi-fi da embarcação. O Navio de Apoio Oceanográfico (NAp Oc) Ary Rongel está no estaleiro chileno de Asmar, e não no porto de Punta Arenas, por conta de uma operação de manutenção que se tornou necessária – e que poderá fazer com que os jornalistas embarcados (além de mim, há mais quatro por aqui, três dos quais dividem a cabine comigo) tenham de partir para a Antártida em um avião da FAB.

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 Em compensação, o retorno à América do Sul poderá ser feito a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano, a mais nova ferramenta brasileira no continente gelado.


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Existe a possibilidade de o deslocamento final, até a Estação Antártica Comandante Ferraz, vir a ser feito de helicóptero. Dizem-me que é um voo muito bonito. E eu repito isso para mim mesmo, continuamente. Se bem que a viagem de navio, se for o caso, não será muito menos emocionante: a informação é de que as ondas na Passagem de Drake – que separa o Cabo Horn, na ponta do continente americano, das Ilhas Shetlands do Sul, uma das quais abriga a base brasileira – estão chegando a oito metros de altura. Segundo a definição que ouvi de um oficial da Marinha, fazer a travessia nessas condições é fazê-la “na horizontal”.

A instabilidade meteorológica na Passagem de Drake é notória. No lado positivo, quando o tempo permite o mar em Drake é, dizem, um bom posto de observação de baleias e aves marítimas, como o albatroz (e pensar que deixei meu exemplar da Balada do Velho Marinheiro em casa…).

 

Hoje recebemos as andainas – os trajes especiais para suportar o frio antártico. Inclui um par de óculos que posso usar por cima dos meus óculos de míope astigmático, uma jaqueta pesada mas muito confortável, um par de luvas grossas, botas revestidas e a jardineira, um par de calças com suspensórios que chega até o peito, lembrando um pouco as calças do Obelix.

 

Se realmente formos de avião, teremos de embarcar já trajando as andainas. Se não, elas só serão necessárias durante a viagem pelo mar polar, quando formos ao convés, e, claro, depois, na Antártida.