A década mais quente

Estadão

09 Dezembro 2009 | 07h27

Ontem, a Organização Meteorológica Mundial distribuiu nota informando que os anos 2000-2009 provavelmente compõem a década mais quente já registrada, superando o período 1990-1999, que por sua vez já havia superado 1980-1989.

Para muitos países da África e da Ásia, este está sendo o ano mais quente já registrado. Aqui na Ilha Rei George, estamos tendo o que talvez venha a ser um recorde de frio, uma anomalia que, segundo a  OMM, também ocorreu nos Estados Unidos e no Canadá.

Ao contrário do que pode parecer, essas oscilações não invalidam a tese do aquecimento global causado pelo homem. Um resfriamento relativo em 2009, inclusive, já havia sido previsto.  Ainda assim, o ano entra para os “top 5” de temperatura.

Uma vez constatado o aquecimento — algo teoricamente fácil de fazer, é só comparar o termômetro de um ano ao do outro ao longo de toda a série e traçar um gráfico — fica a questão do “causado pelo homem”. Como assim? Fazer coincidir, por exemplo, o gráfico de emissão de CO2 com o de temperatura não basta — como qualquer estatístico poderá lhe dizer, correlação não é causação: ninguém nunca ficou rico por causa da correlação entre o comprimento das saias femininas e o comportamento do mercado de ações.

Então, onde ficamos? Os relatórios do IPCC falam muito em “forçantes climáticas”. Uma “forçante” é um fator capaz de empurrar o clima para um lado ou para o outro (como a intensidade da radiação solar, por exemplo).

As principais forçantes do último milênio, segundo a Administração Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA) dos EUA, foram mudanças na radiação solar, erupções vulcânicas e gases do efeito estufa.

De acordo com um estudo publicado em 2000, nenhuma reconstituição do clima da Terra no período pós-1850 é capaz de dar conta dos efeitos observados sem incorporar o CO2 emitido por atividade humana como forçante. A partir disso, a hipótese de que a atividade humana é um fator decisivo na mudança climática parece bem razoável.

Os relatórios do IPCC baseiam-se não em um único estudo, mas em uma revisão ampla do que é publicado por cientistas sobre o tema, e concluem que a causa humana é altamente provável.