A verdadeira lua negra

Estadão

01 Dezembro 2010 | 08h21

A foto acima, feita pela sonda europeia Mars Express, mostra Fobos (“Medo”, em grego), uma das duas luas de Marte, com a superfície do planeta ao fundo. A outra lua é Deimos (“Terror”).

O fato de a lua aparecer como uma mancha negra de encontro ao planeta não é um acidente óptico:  Fobos é — algo que combina bem com seu nome — a lua mais escura do Sistema Solar.

Uma teoria sobre sua origem propõe que  ela seja, na verdade, um asteroide capturado pela gravidade marciana. Um fato confirmado é que Fobos está caindo, e deve colidir com Marte daqui a 50 milhões de anos.


A Rússia está capitaneando uma missão para recolher amostras da superfície de Fobos, que deveria ter partido em 2009 mas foi adiada e que deve ser lançada em novembro do ano que vem.

A sonda russa levará, de carona, a primeira sonda marciana da China, além do experimento “Life”, da organização Planetary Society, que estudará como seres vivos da Terra se viram no espaço durante uma viagem a Marte. A cápsula Life transportará amostras de bactérias e até da planta Arabidopsis thaliana, um clássico organismo-modelo.

Fobos também é lar de uma enorme cratera, Stickney, batizada em homenagem à matemática, ativista política e abolicionista americana Angeline Stickney Hall, mulher do descobridor de Fobos, Asaph Hall. Medindo 9 km de diâmetro, a cratera ocupa uma boa proporção da superfície da lua, que tem 22 km de diâmetro ao todo.

A foto abaixo é um close-up de Stickney, feito pela sonda americana MRO:

A “cratera dentro da cratera” chama-se Limtoc, nome de um personagem das Viagens de Gulliver. Nesse livro de Jonathan Swift, publicado em 1726, os astrônomos da ilha Laputa dizem ter descoberto duas luas em Marte. Fobos e Deimos foram realmente descobertas na década de 1870 por Asaph Hall.