A vida aqui começou… lá fora…

Estadão

29 Abril 2010 | 08h14

Se a senilidade ainda não me alcançou, a frase acima (ou uma outra muito parecida com ela) fazia parte do texto de abertura da série de TV Galactica — a que passava nos anos 70/80 junto com Buck Rogers, não a mais moderninha. Cito-a porque cada vez mais parece plausível que ela esteja certa — ainda que não de uma forma tão dramática como a de astronautas que usam capacetes de faraó para pilotar naves espaciais que manobravam, no vácuo, como se fossem Fokkers da I Guerra Mundial.

Cientistas– incluindo uma pesquisadora brasileira–  informam que há sinais de água e matéria orgânica, ingredientes fundamentais para a vida, em um asteroide (reportagem minha e do colega Alexandre Gonçalves sobre o assunto pode ser lida aqui). Esta é apenas a mais recente detecção do duo em partes do Universo que antes pareceriam altamente improváveis.

Richard Hatch, no papel do galante capitão Apollo

Richard Hatch, no papel do galante capitão Apollo

Moléculas essenciais para a vida, ou fortes indícios delas, já foram detectadas em meteoritos, luas de gigantes gasosos, planetas-anões além da órbita de Plutão, em planetas extrassolares e em nuvens de poeira cósmica a anos-luz daqui.


Isso não significa claro, que a vida na Terra tenha começado com o desembarque pré-histórico de um casal de refugiados alienígenas de jaqueta de camurça, bata e cortes de cabelo dos anos 70, longe disso. Mas, como me disse o astrônomo Humberto Campins, da Universidade da Flórida Central: “Asteroides e cometas podem ter trazido para a Terra os blocos constituintes para a vida formar-se e evoluir em nosso planeta (…) O estudo de asteroides primitivos como ‘fertlizadores’ pode se tornar uma área de interesse”.