Bactérias magnéticas e pinguins deslizantes

Estadão

05 Dezembro 2009 | 14h14

Aproveitamos o dia de céu aberto e de calor, para os padrões antárticos (máxima de 4 graus — me disseram que os 10 graus que eu havia citado antes foram medidos junto à chapa metálica da EACF e, portanto, representam uma leitura superestimada) para acompanhar duas pesquisadoras que percorreram um trecho de praia próximo a Punta Plaza em busca de amostras de areia — o que é mais difícil do que parece, já que as praias aqui são praticamente só rocha e cascalho.

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O objetivo é analisar o material coletado em busca de bactérias — mais especificamente, bactérias magnéticas, que concentram minério de ferro e produzem minúsculos ímãs. Bactérias com essa característica são conhecidas há décadas, mas foram encontradas pela primeira vez na Antártida  há bem pouco tempo, e por um cientista brasileiro — Ulysses Garcia Casado Lins, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Esses organismos estão sendo estudados em todo o mundo não apenas por conta de possíveis aplicações tecnológicas, mas também por causa de um meteorito chamado ALH 84001, descoberto no continente antártico (aqui, em Ferraz, nós estamos num arquipélago) em 1984, e que, dizem alguns cientistas, contém sinais fósseis de bactérias magnéticas.

Como ALH 84001 originou-se em Marte, a questão tem um interesse todo especial (o anúncio, feito pelo presidente dos EUA, Bill Clinton, sobre a possível descoberta de sinais de vida marciana na Antártida foi usado como parte do filme Contato, aliás).

Uma atração especial do passeio foram os pinguins. Vários deles não só apareceram como acompanharam o pessoal pelo caminho, e pelo menos dois correram na direção de jornalistas. Esta foi a primeira vez que vi um pinguim deslizar de perto.

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E vou parando por aqui, porque dentro de 15 minutos me apresento para a faxina semanal da cozinha. Até mais!