Controlando o turismo

Estadão

12 Dezembro 2009 | 12h33

Enquanto eu estava no porto de Asmar, em Punta Arenas, aguardando para vir à Antártida, um enorme transatlântico parou por lá também. Possivelmente era a mesma embarcação que havia feito um tour aqui pela Baía do Almirantado alguns dias antes.

O turismo antártico é um mercado crescente, que se expandiu de 10 mil passageiros, há dez anos, para 45 mil em 2008. As passagens custam milhares, ou dezenas de milhares, de dólares. Mas essa atividade toda tem impacto ambiental, que foi discutido, ao longo da semana, numa reunião de especialistas realizada na Nova Zelândia.

Segundo nota da agência Associated Press, em breve deve entrar em vigor um conjunto de regras para os navios de turimo que entram em águas ao sul do paralelo 60, que marca o início oficial da região antártica. Entre essas normas estará a proibição do uso de óleo pesado que, sendo menos volátil que o leve, dura mais como poluente no mar em caso de vazamento ou naufrágio.

Acidentes com embarcações turísticas na Antártida não se limitam ao reino das hipóteses: em 2007, o Explorer, um navio de passageiros, afundou no Estreito de Bransfield, aqui pertinho. Outros quatro navios de passageiros já se acidentaram em águas antárticas sendo que o mais recente, o Ocean Nova, encalhou a 68 graus de latitude sul em fevereiro deste ano.

Grandes transatlânticos usam óleo pesado, e a nova regra provavelmente impedirá o uso desse tipo de navio na região. Um “efeito colateral” esperado do banimento do óleo pesado será o embaraço das operações japonesas de caça  à baleia em águas antárticas. O Nisshin Maru, famoso (ou infame) baleeiro japonês, usa óleo pesado.

Um código amplo, com normas técnicas e de treinamento de pessoal para navios na Antártida, deve ser adotado até 2013.