De humanos a babuínos, a receita da vida longa

Estadão

01 Julho 2010 | 17h22

A revista Science publica um amplo estudo revelando que um complexo de 150 características genéticas parece ser a marca que distingue as pessoas que vivem mais de 100 anos dos mortais mais “mortais”.

(Entrevistei uma das autoras do estudo por e-mail e acompanhei uma coletiva dela e de outro pesquisador; o resultado pode ser lido aqui).

O mais interessante desse trabalho, a meu ver, é a demonstração de como a interação dos genes entre si e com o ambiente é complexa. Um “quebra-cabeças”, como disse um dos autores do trabalho.

Genes que predispõem a doenças podem ser neutralizados pelos de longevidade, por exemplo — e mesmo os “genes de longevidade” não foram bem identificados, ainda: sabe-se que são cerca de 70, e estão espalhados por todo o genoma humano.

Quanto ao ambiente, os autores da pesquisa notam que 15% da população parece ter o DNA certo para viver além dos 100, mas que menos de 1% chega lá. O fato é que não há genética que proteja contra guerra, furacão, atropelamento, bala perdida… E, embora bons genes possam ajudar a superar ou evitar o que seriam os efeitos naturais de algumas escolhas erradas de estilo de vida, para tudo há limite.

 

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Menos divulgado que o estudo da Science sobre longevidade humana, também nesta quinta saiu um trabalho na Current Biology sobre o que ajuda a prolongar a vida de… babuínos. Babuínas, na verdade.

A conclusão: babuínas que têm laços de amizade íntimos e estáveis vivem “substancialmente mais”. O efeito é independente do status social do animal e do número de amigos. O que importa é qualidade e  estabilidade das relações.

“Esses dados ampliam nossa compreensão do valor adaptativo dos laços sociais nos babuínos e complementa um crescente corpo de evidência que indica que laços sociais têm valor adaptativo (…) de camungondos a humanos”, diz o resumo do estudo.