Do Ig ao Nobel

Estadão

05 Outubro 2010 | 08h18

Mais um ponto de discussão para a conversa de o quê, se alguma coisa, o prêmio IgNobel diz a respeito dos rumos da ciência atual: um dos ganhadores do Nobel de Física deste ano, Andre Geim, já havia sido agraciado com o IgNobel em 2000, pelo famoso (ou infame) experimento de levitação de um sapo por meio de campo magnético.

O Nobel foi concedido pela caracterização e descrição do grafeno, um cristal bidimensional formado por átomos de carbono ligados em padrão hexagonal — basicamente, uma “tela de arame” de um átomo de espessura. O grafeno pode ser visto como a forma básica que dá origem a algumas estruturas interessantes de carbono, como nanotubos, “buckyballs” e grafite. Isso é ilustrado no desenho abaixo, cortesia do comitê Nobel:

O grafeno também tem algumas propriedades promissoras em termos de aplicação tecnológica: é transparente mas conduz eletricidade — duas coisas que não costumam andar juntas — e é mais forte que uma película de aço da mesma espessura. Um metro quadrado de grafeno (com apenas um átomo de espessura, lembre-se) seria capaz de suportar cerca de 4 kg. O comitê Nobel encontrou um jeito simpático de ilustrar o fato:

Note que a rede  seria praticamente invisível — um prato cheio para mágicos de palco e para a especulação de escritores de ficção científica.  A entrada do grafeno no dia-a-dia das pessoas ainda está um pouco distante, mas seu potencial, em termos do número de possíveis aplicações, já foi comparado ao dos plásticos. 

Ao ser ouvido, em teleconferência, durante o anúncio do Nobel, Geim disse que havia apreciado receber o IgNobel, porque o senso de humor é importante na ciência. Também declarou que considera o Nobel um tanto quanto perigoso, porque alguns cientistas abandonam as pesquisas depois de recebê-lo. Mas disse que não se encaixa nessa categoria.