E o gelo da Antártida vai sumindo…

Estadão

23 Novembro 2009 | 20h07

Uma análise de dados recolhidos pela dupla de satélites GRACE, da Nasa, indica que a Antártida como um todo está perdendo gelo, a uma taxa de vários bilhões de toneladas ao ano. A grande novidade é que os dados indicam perdas também na Antártida Oriental, onde a situação parecia sob controle.

A incerteza na taxa de perda é grande – de 52 bilhões de toneladas ao ano dentro de um derretimento estimado em 57 bilhões – mas a medição se mantém firme no lado da perda (outras estimativas até sugeriam um pequeno ganho anual de gelo), e se o mínimo parece pequeno (5 bilhões/ano) o máximo, 109 bilhões/ano, certamente é assustador.

Os satélites GRACE funcionam medindo cuidadosamente a distância que os separa um do outro e suas velocidades relativas, conforme orbitam a Terra. Essas medições permitem deduzir quais as variações na força gravitacional terrestre das regiões que os aparelhos sobrevoam. A gravidade varia de acordo com a massa e a densidade da área por onde os GRACE passam.

Em agosto, essa dupla de satélites fez notícia ao detectar o esgotamento de um importante aquífero subterrâneo da Índia.

A parte da Antártida para onde estou indo é uma onde o derretimento do gelo é conhecido há tempos. Os dados do GRACE indicam que essa área – a Península Antártica e ilhas próximas – perde 38 bilhões de tonealdas de gelo ao ano. O derretimento do gelo tem impacto na circulação dos oceanos, no clima e na agricultura do mundo, mas ainda não afeta o nível dos mares, porque o gelo que derrete já estava flutuando sobre água (faça a experiência em casa: o gelo que derrete num copo de bebida não faz subir o nível do líquido).

Quando o gelo que está sobre a terra – e a Antártida tem uma área de 14 milhões de quilômetros quadrados, 98% dos quais cobertos de gelo com quilômetros de espessura – começar a derreter e escorrer para o oceano, no entanto, isso vai mudar.