E por falar em outro lado…

Estadão

24 Junho 2010 | 08h35

A sonda LRO, da Nasa, completou um ano em órbita da Lua nesta semana, e para comemorar a agência espacial publicou uma lista de “10 coisas legais” que o instrumento fez nesse período, incluindo localizar os equipamentos deixados em solo lunar pelos astronautas pro projeto Apollo (a lista completa você vê aqui).

Mas eu queria destacar esta imagem, feita por altímetro laser, do lado oculto da Lua:

hiddenside

As cores representam altitudes. Elevações acima de 6.000 metros estão marcadas em vermelho e bacias com mais de 6.000 metros de profundidade, em azul. Compare com a primeira imagem feita dessa face da Lua, obtida pela sonda soviética Luna 3, em 1959.

far-side-luna

Em 50 anos, a resolução disponível certamente melhorou bastante! (Se quiser fazer uma comparação mais detalhada, tenha em mente que a foto da Luna 3 está invertida, no sentido esquerda-direita, em relação à da LRO)

Uma diferença marcante entre o lado próximo e o lado oculto é que no segundo praticamente não se veem “mares” — como são chamadas as planícies de lava que vemos como manchas escuras quando olhamos para a Lua. As causas dessa assimetria ainda não são bem comprrendidas.

Os soviéticos aproveitaram que eram os primeiros e deram nomes às características mais proeminentes da imagem. A mancha escura no alto à direita, por exemplo, foi batizada Mare Moscovrae (Mar de Moscou).

Talvez tenha dado para notar que estou usando a expressão “lado oculto” e não “lado escuro”. Por um bom motivo: com o perdão do Pink Floyd, o fato é que o lado da Lua que não vemos aqui da Terra também recebe luz do Sol, dentro do ciclo lunar de dia e noite, e portanto não é permanentemente “escuro”.