Fila para entrar na fila da fila

Estadão

16 Fevereiro 2010 | 09h23

Época de feriado prolongado é época de filas: fila na rua, fila na estrada, no posto de saúde, fila para comprar pão, água, remédio, caipirinha. E, com as filas, a incômoda sensação de que, não importa quantas linhas de carros ou pessoas existam no lugar, a gente sempre está na que anda mais devagar. O desanimador é que, estatisticamente, isso tem uma boa chance de ser verdade.

A razão é simples: a fila que anda mais devagar provavelmente está lenta desse jeito porque é a que contém mais pessoas. E, portanto, é onde você tem mais chance de estar. Para visualizar isso, imagine um caso análogo extremo — um sorteio onde serão dados dois carros e dois mil pares de meias (você pode comparar isso com duas filas, uma pequena, a dos ganhadores de carros, e outra grande, dos ganhadores de meias). O que você teria mais chances de ganhar?

Para piorar a situação, assim que uma fila começa a andar depressa, as pessoas que estão na mais lenta tendem a se mudar para ela, se possível. O que faz com que a fila rápida passe logo a ser a que contém mais gente e, com isso, torne-se lenta.

É importante notar que esse princípio reflete apenas uma média: não quer dizer que você vai estar sempre na fila mais demorada, e sim que, considerando-se todas as filas em que você entrar na sua vida, em média você vai participar mais das filas demoradas do que das rápidas.

Ah, sim: a explicação de que a fila maior será a mais lenta depende bastante da pressuposição de que as filas se formam meio que ao acaso. Se existe uma razão racional para que as pessoas optem por uma fila específica, isso talvez não valha.

Por exemplo, pode ser que, numa determinada padaria, a maior parte dos clientes habituais, que já conhece há tempos o lugar e seus funcionários, prefira entrar na fila do pãozinho servida pela moça que é mais esperta e eficiente que a colega ao lado. Nesse caso, as pessoas bem-informadas sabem que a fila dela tende a ser mais rápida, mesmo se for um pouco maior…