Frankenstein, 1910

Estadão

23 Agosto 2010 | 08h01

Filmes como Origem trazem de volta o previsível debate entre “arte” e “efeitos especiais” no cinema. O que é engraçado porque, quando nasceu, o próprio cinema era uma espécie de truque de mágica — um “efeito especial” — em si. Georges Méliès, por exemplo, tinha sido mágico no Teatro Robert-Houdin, batizado com o nome do grande ilusionista francês do século 19 que serviu de inspiração para o americano Robert Harry Houdini.

(As peripécias de Robert-Houdin na Argélia na década de 1850, onde ele teria usado truques de mágica para desmoralizar um grupo de fanáticos religiosos, talvez mereçam estudo renovado, aliás)

A ligação íntima entre mágica e a origem (sem trocadilho) do cinema aparece de forma muito clara no filme abaixo, onde os momentos-chave são muito obviamente truques. Trata-se da primeira versão cinematográfica de Frankenstein, produzida por Thomas Edison em 1910 — e que, portanto, completou um século neste ano.

Com apenas 12 minutos, este não apenas é o primeiro filme inspirado na obra de Mary Shelley, como também a primeira película de terror americana. O que traz a questão de o que Edison teria feito se soubesse que estava inaugurando uma linhagem que iria dar em Vincent Price, Sexta-feira 13O Bebê de Rosemary?

Com vocês, o Frankenstein de 1910: