Geminídeas perdidas

Estadão

13 Dezembro 2009 | 13h21

Não sei se já contei isso, mas antes de vir para a Antártida minha área de cobertura preferencial era astronomia e exploração espacial — aqui você encontra um exemplo típico do que eu costumava escrever. Por conta disso, estou ligado num fenômeno astronômico que está rolando ao longo deste mês (de fato, até o dia 19, mais ou menos). São as geminídeas: uma chuva de meteoros com radiante (isso é, o ponto da onde a maioria das estrelas cadentes parece emanar) na direção da constelação de Gêmeos.

A chuva ocorre todo ano, quando a Terra, em sua órbita ao redor do Sol, penetra uma nuvem de detritos espaciais, os prováveis restos de um cometa extinto.

O ponto máximo da chuva deve ocorrer durante este fim de semana: mais exatamente, na madrugada de segunda-feira. E eu estou na Antártida, onde a poluição luminosa (outra coisa sobre a qual já escrevi) é praticamente zero. Só que o céu não escurece nunca de verdade, e o tempo está permanentemente nublado. Ou seja: pinguins, abundantes; meteoros, bulhufas.

Para quem estiver em um lugar com céu aberto e tiver condições de se afastar das luzes urbanas nesta madrugada (“vamos dar uma volta para observar meteoros” ainda deve ser uma cantada original, aliás), por volta das 2h da manhã, na altura de São Paulo, Gêmeos vai estar uns 30º acima do horizonte norte, segundo o mapa do site Heavens Above. Mas os meteoros podem aparecem em qualquer parte do céu. Nesse horário nem tem Lua pra atrapalhar.

Quem observar, escreva para dizer como foi!