Indo embora

Estadão

10 Maio 2010 | 08h19

Semana passada saiu a notícia de que a Voyager 2 encontrava problemas para enviar dados à Terra: as informações científicas coletadas pela sonda estavam chegando aqui numa codificação diferente da programada, e os pesquisadores simplesmente não conseguiam entender o que ela estava dizendo.

Ed Stone, cientista do projeto, atribui a dificuldade ao possível impacto de raios cósmicos na memória da Voyager, que está no espaço há 33 anos. Isso parece ter sido o equivalente a uma experiência mística que botou a Voyager 2 a falar em línguas.

Mas o surpreendente não é ela ter problemas. É ainda estar funcionando!

Até eu sou um pouco novo demais para ter prestado atenção nisso na época, mas as sondas Voyager — e, com mais ênfase, a Voyager 2  — executaram, entre os anos 70 e 80, o que ficou conhecido como o “Grand Tour” do Sistema Solar, visitando todos os planetas gigantes — Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Eu me lembro de ficar emocionado ao abrir minha primeira enciclopédia em CD-ROM, na pré-história antes da internet, e assistir ao vídeo, solenemente silencioso e em preto e branco, da Grande Mancha de Júpiter feito pela missão.

As duas Voyagers, assim como as duas Pioneers (10 e 11) e a sonda New Horizons (que deve encontrar Plutão dentro de alguns anos) são os únicos objetos criados por mãos humanas a, até agora, ter a chance de sair do Sistema Solar; muito possivelmente, continuarão a vagar pelo espaço intrerestelar bem depois de o próprio Sol ter se apagado. É possível acompanhá-las nesta página.

Para dar um pouco de perspectiva a este mais cruel dos dias, a segunda-feira, deixo o vídeo baixo — uma montagem de imagens do Grand Tour ao som de Bach. Tenha lenços de papel à mão.