Japão lança missão para Vênus

Estadão

17 Maio 2010 | 08h41

ATUALIZAÇÃO: O lançamento previsto para a segunda-feira, 17, foi adiado por causa do mau tempo em Tanegashima, local da base espacial japonesa.

O site Space.com informa que o Japão lança nesta noite (na manhã de terça-feira, no horário japonês) a sonda Planet-C, também chamada Akatsuki (“Aurora”), para estudar a atmosfera do planeta Vênus. A agência espacial japonesa — Jaxa — se refere à  Akatsuki como o “satélite meteorológico” de Vênus.

O segundo planeta do Sistema Solar, Vênus foi intensamente estudado pelo programa espacial soviético, que conseguiu lançar diversas sondas no interior de sua atmosfera.

Antes de serem esmagadas pela intensa pressão atmosférica (e assadas pelo calor infernal), as sondas da série Venera enviaram imagens e dados científicos. As únicas fotos coloridas feitas na superfície do planeta, até hoje, são as das sondas Venera 13 e 14.

Parte de imagem colorida obtida pela Venera 13, em 1982

Parte de imagem colorida obtida pela Venera 13, em 1982

Vênus é, sob muitos aspectos, o planeta conhecido mais parecido com a Terra. Seu raio é 94% do terrestre; sua massa, 81%. A gravidade na superfície é 91% da terrestre. Nem Marte tem números tão próximos aos do mundo em que vivemos.

As semelhanças, no entato, só dão maior relevo aos contrastes. A temperatura na superfície é de mais de 400º C, e a pressão atmosférica chega a ser 100 vezes a terrestre — comparável à pressão de 1 km no fundo do mar.

Vênus não tem chuva, mas virga : o líquido nas nuvens condensa-se e começa a cair, mas evapora de novo antes de tocar o chão. E esse líquido não é água, mas ácido sulfúrico.

A atmosfera do planeta é dominada por dióxido de carbono, o que faz de Vênus vítima de um efeito estufa monstruoso e descontrolado. Nesse aspecto, o planeta vizinho é um lembrete útil de que a ciência básica por trás do aquecimento global é bem sólida: o CO2 é opaco para parte do espectro infravermelho, e por isso aprisiona calor na atmosfera.

A Jaxa não tem tido muita sorte na exploração interplanetária. Sua tentativa anterior à Planet-C, chamada Planet-B (ou Nozomi) e destinada a Marte, teve problemas ao tentar deixar a órbita terrestre, não conseguiu entrar em órbita de Marte e, desde 2003, é um satélite artificial do Sol.

A agência japonesa publicou um documentário em vídeo sobre a Planet-C, reproduzido abaixo. Tem narração e legendas em inglês — a dicção da narração é muito boa, e mesmo quem tem dificuldades com a língua pode tentar acompanhar as explicações.