La playa de los pingüinos!

Estadão

18 Novembro 2009 | 22h19

Pesquisando sobre Punta Arenas antes de viajar, fiquei sabendo que por aqui existiam “berçários” de pinguins, áreas onde esses pássaros se encontram para acasalar, pôr ovos e cuidar dos filhotes. E me vi pensando no que seria necessário para visitar um lugar desses: provavelmente, obter uma licença do equivalente chileno do Ibama, e depois pegar um bote e navegar até uma ilha qualquer no Estreito de Magalhães.

Que nada: agências de turismo fazem passeios guiados diários, com transporte incluído, por modicos 14.000 pesos chilenos (cerca de R$ 50). A viagem até a colônia de pinguins (ou Las Pingüineras, como preferem os nativos) é longa — são cerca de 60 km a partir do centro de Punta Arenas. A pingüinera em questão fica na baía enseada Otway, onde o Oceano Pacífico avança um bom pedaço América do Sul adentro (não que o continente seja especialmente espesso nesse ponto) e que se localiza, na verdade, na direção oposta ao Estreito de Magalhães.

A despeito disso, os pinguins que fazem seus ninhos lá são pinguins de Magalhães. A pingüinera é organizada como um parque, com restaurante e loja de lembrancinhas na entrada e uma enorme planície vazia ao redor, onde além de pinguins também vivem coelhos, falcões, emas e pelo menos um lhama, que vi quando já estava de saída.

A região da colônia de pinguins é atravessada por uma trilha de passarelas de madeira, da qual os visitantes não podem sair. Os pinguins circulam calmamente entre as passarelas e por baixo delas; não parecem se importar muito com o assédio humano.


Alguns ficam tão perto das áreas de acesso que dá para fotografá-los cara a cara (ou cara a bico).

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A praia é totalmente isolada: há postos de observação montados à distância, mas o mar e a areia são exclusivos dos animais — além dos pinguins, outras aves marinhas, como gaivotas, aproveitam a paz que a ausência do homem traz.

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O ninho de um pinguim de Magalhães é um buraco no chão. Assim como a classe média brasileira, cada casal de pinguins tem, em média, 1,8 filhote. A época de minha visita foi auspiciosa: é em novembro que os pingüins de Otway começam a cuidar das crias — segundo um folheto entregue aos visitantes, os ovos eclodem a partir de 15 de novembro.

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Outras informações que constam do panfleto: esses pinguins vivem até 30 anos e sempre retornam ao local onde nasceram, mas apenas em casais, e apenas para se reproduzir. Nenhum pinguim solteiro desacompanhado volta a Otway. O tamanho estimado da colônia, na temporada 2006-2007, era de quase 11 mil animais.

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O pinguim é uma espécie de ícone de Punta Arenas: não só é o tema favorito do artesanato para turistas produzido no local (existe até um gorro de lã com proteção para as orelhas que funciona como uma espécie de máscara de pinguim –comprei um para ver como ficava, mas a foto não vai aparecer neste blog), como o tabloide popular local chama-se El Pingüino!

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