Marte e o Porto da Fome

Estadão

20 Novembro 2009 | 10h53

 


Robert Zubrin, um engenheiro aeroespacial americano que criou uma ONG para defender a ida de seres humanos a Marte, costuma dizer que o planeta Terra é no geral, assim como Marte, hostil à nossa forma de vida: afinal, em quantos ambientes terrestres uma pessoa seria capaz de sobreviver nua, apenas com a força dos braços e dos dentes, sem o apoio da tecnologia? 

 

A aplicabilidade do argumento à questão marciana é questionável (na Terra, ao menos, pode-se respirar em praticamente toda parte sem precisar levar o oxigênio junto), mas Punta Arenas (e, claro, a Antártida) marca bem o que há de verdadeiro na premissa inicial de Zubrin.

 A primeira tentativa europeia de colonizar a região do estreito de Magalhães, onde os oceanos Pacífico e Atlântico se encontram, foi empreendida por espanhóis ainda no século XVI. A colônia, batizada oficialmente de Rey Don Felipe, acabou entrando para a história como Puerto del Hambre (Porto da Fome).

Apenas um colono sobreviveu, sendo resgatado por um pirata inglês. Charles Darwin passou por ali durante a viagem do Beagle, e no livro em que relata sua volta ao mundo, refere-se ao local como um exemplo dos desastres que marcaram as tentativas europeias de colonizar as latitudes meridionais extremas. “No nome”, escreve o naturalista, “Porto da Fome expressa o sofrimento continuado e extremo de centenas de pessoas”.

 Punta Arenas, a cidade finalmente erguida à beira do estreito, é um produto de meados do século XIX.

esquina 
 
Uma esquina do centro de Punta Arenas

 

A cidade que surgiu é bela, principalmente na região central, onde há vários edifícios em estilo europeu e uma praça arborizada dominada por uma estátua de Fernão de Magalhães, habitada por uma feira de artesanato e uma simpática população de cães de rua rechonchudos, que aproveitam o calor que o sol deposita no pedestal do navegador português para dormir no quentinho.

 

 

magallanes                                                                                                   

O navegador português que deu a volta ao mundo

slippery 

Um aviso aos caminhantes da praça

 perro 

E um cachorro tomando sol no pedestal do monumento