Mentos e refrigerante diet: mistura explosiva

Estadão

02 Junho 2010 | 10h21

Ok, você provavelmente já viu isso antes em algum lugar (existe toda uma série de vídeos no YouTube e um episódio de Mythbusters a respeito): é possível criar um “vulcão” líquido jogando-se pastilhas de Mentos em uma garrafa ou lata de bebida gaseificada.

O que você talvez não saiba é que a reação exata que dá origem ao efeito foi objeto de um artigo científico publicado em 2008. A íntegra pode ser encontrada

Documento

  • aqui. E existe até uma versão resumida em PowerPoint, que pode ser acessada aqui   PDF
.

O trabalho todo foi realizado como um projeto de ensino de Física, e não me surpreenderia se já tiver sido adaptado por algum professor brasileiro dotado de espírito de aventura.

O artigo traz ainda uma comparação de várias combinações refrigerante/pastilha, e conclui que a mistura de Diet Coke com Mentos é, de fato, a mais eficiente — produzindo um jato que elimina quase 1,5 litro do conteúdo uma garrafa de dois litros, e que é capaz de viajar a uma distância horizontal de 6 metros (!!).


Os experimentos também demonstraram que, quanto menos gelada estiver e bebida, mais violenta será a reação.

Mas, afinal, como isso funciona?

No caso do Mentos, os fatores principais parecem ser a superfície áspera das pastilhas e a presença de goma arábica no revestimento do doce.

A aspereza dá às bolhas de gás carbônico locais onde se congregar — focos onde se formam  e crescem.

(Qualquer partícula áspera funciona, aliás. É por isso que quando cai um pedaço de comida num copo com refrigerante, aparece rapidamente um monte de bolhas ao redor do fragmento invasor.)

Imagem de microscópio eletrônico da superfície de pastilhas de Mentos

Imagem de microscópio eletrônico da superfície de pastilhas de Mentos

(Na imagem acima, as barras de escala são: (a) 200 micrômetros, (b) 100 micrômetros, (c) 20 micrômetros, e (d) 20 micrômetros. As imagem (a) e (c) são de uma pastilha Mentos Menta; a (b) e (d), Mentos Fruta.)

Já a goma arábica é um surfactante — um tipo de molécula, como o detergente, que atrai água para uma de suas extremidades e a repele da outra. O efeito reduz a união das moléculas de água entre si, permitindo que as bolhas cresçam mais e durem mais tempo. Trata-se do mesmo princípio das bolhas de sabão.

Já no caso da Diet Coke, os ingredientes ativos são o adoçante aspartame e o conservante benzoato de postássio (além do gás carbônico dissolvido, claro). Experimentos mostraram que a presença dos dois produtos reduz a  energia necessária para uma bolha se formar.

A energia necessária para fazer uma bolha em uma mistura de água com açúcar é 74% da requerida na água pura; em água com aspartame, o total cai para 67%, de acordo com os experimentos. Isso ajuda a explicar, também, por que os refrigerantes “diet” em geral fazem mais espuma que os normais!

Para animar o feriado, abaixo vai o vídeo de uma possível aplicação tecnológica da reação: