Parceria com a Índia: rumo ao continente?

Estadão

16 Dezembro 2009 | 17h33

Base_India_Maitri

A estação indiana de Maitri; imagem de domínio público, do acervo do governo dos EUA

Comandante Ferraz está recebendo a visita do geólogo indiano S. Mukerji, como parte de um programa de parceria em pesquisas antárticas iniciado entre Brasil, Índia e África do Sul.

A Índia pretende se lançar à construção de uma terceira base antártica em 2010, e a experiência do país aqui ao sul do paralelo 60 se concentra principalmente em estudos geológicos do continente — diferentemente do Brasil, que mantém sua base numa ilha ao largo da Península Antártica, com foco maior em estudos biológicos, ecológicos e da atmosfera.

No ano que vem, é possível que a estação indiana de Maitri — que fica do outro lado da Península Antártica em relação a Ferraz, e mais ao sul (na altura do paralelo 67; Ferraz fica no 62), numa área do continenente chamad Oásis de Schirmacher — receba a visita de um pesquisador brasileiro. Maitri é a segunda estação indiana na Antártida.

A primeira, Dakshin Gangotri, foi engolida por gelo e destruída, no fim dos anos 80. Segundo Mukerji, a situação em Dakshin Gangotri tornou-se insustentável quando o fluxo da geleira começou a distorcer a estrutura da estação. A terceira base indiana será construída nas Colinas Larsemann, também do outro lado da península em relação a Ferraz.

A África do Sul tem uma longa história de presença no continente antártico, que começou com a ocupação, em 1959, de uma base norueguesa abandonada na região chamada Terra da Rainha Maud. Os sul-africanos mantêm ainda bases de pesquisa em ilhas antárticas.

A parceria com dois países de presença tradicional no continente antártico talvez sinalize uma disposição brasileira de preparar-se para investir em outros pontos da Antártida, aprofundando-se em latitudes meridionais para além do arquipélago das Ilhas Shetland do Sul.