Por que os shows de rock não são mais caros?

Estadão

02 Dezembro 2010 | 09h02

Vendo o grande número de astros do pop-rock que vieram/estão vindo/virão se apresentar no Brasil, e acompanhando — basicamente, via Twitter — a intensa vibração das pessoas que parecem felicíssimas em se desfazer de centenas de reais pelo privilégio de ficar algumas horas em pé (debaixo e sol forte ou talvez na chuva) numa fila para depois passar algumas horas em pé (talvez na chuva) vendo alguém tocar alguma coisa ao longe, eu me lembro de um pequeno paradoxo que encontrei, se não me engano, no livro The Armchair Economist, de Steven Landsburg: por que os shows de rock não custam muito mais caro?

Sei que a maioria dos fãs de música provavelmente já considera os ingressos para esses espetáculos caros demais, mas vamos pensar em termos da boa e velha lei da oferta e da procura: quando o número de pessoas interessada em um produto supera o número de unidades do  produto à venda, o preço sobe. Isso funciona para roupas, sacas de café, ações na bolsa. É por isso que há cambistas nos estádios de futebol.

No caso dos shows de grandes astros do rock: eles sempre lotam. As pessoas disputam os ingressos a tapa. Gente que chega à bilheteria depois que a última entrada é vendida chora mais que vestibulando que perde o fechamento dos portões.

Obviamente, os promotores desses espetáculos poderiam estar cobrando muito mais, e ainda assim garantir lotação completa. Eles certamente sabem disso. Mas não cobram. Por quê?

A explicação proposta por Landsburg é de que o, digamos, “complexo musical-industrial” se abstém de tirar tudo o que pode do público no preço do ingresso porque precisa deixar algum dinheiro para as pessoas gastarem em outros produtos relacionados ao ídolo — álbuns, camisetas, bonecos, DVDs, etc, etc.

É uma possibilidade, e seria curioso ver o que aconteceu com os preços dos shows nos últimos anos, depois que a onda dos downloads de música se espalhou. Como há menos gente pagando por música, é de se supor que tenham subido os ingressos, numa tentativa de assimilar a receita perdida com a velha venda de CDs.

Mas será que foi mesmo o que aconteceu? Esta é provavelmente uma questão para o colega Edmundo Leite responder!