Reduzindo a pegada ecológica dos cadáveres

Estadão

19 Agosto 2010 | 08h29

Todo mundo, acho, já sabe que cada ser humano vivo é um fardo para o meio ambiente: criamos lixo, consumimos produtos que geram emissões de gases do efeito estufa, nossa comida é produzida em áreas onde a paisagem natural foi devastada e substituída por pasto e plantação.

De acordo com o quiz do MyFootPrint.org,  eu sozinho preciso de 12,8 hectares para sustentar meu estilo de vida, sendo 7,7 só para produção do que como, o que está acima da média brasileira, de 5,7 (creio que vou começar uma dieta).

O que talvez venha a abalar as esperanças dos misantropos em geral é o fato de que seres humanos mortos também são um problema. Cadáveres sepultados obviamente requerem um terreno — roubado da natureza — para o enterro, além de liberar metano, um potente gás do efeito estufa, entre demais substâncias desagradáveis; e há o desperdício de madeira e outros materiais. Cremações, por sua vez, além de espalhar cinzas de chaminé pela vizinhança, geram emissões de CO2  da ordem de 150 kg por cliente.

(O que pode parecer estranho, já que o ser humano médio pesa menos do que isso, mas não se esqueça do oxigênio do ar que entra na combustão, e do combustível original que inicia a chama.)

Agora, uma empresa australiana, Aquamation Industries, citada pela

Documento

  • NewScientist, propõe um meio de reduzir a pegada ecológica dos cadáveres: aquamação, a dissolução dos restos mortais em água  quente, com uma pequena adição de potássio. Diz a brochura promocional   PDF
(em PDF) da companhia:

“Com aquamação, um corpo individual é gentilmente colocado num recipiente limpo, de aço inoxidável. Uma combinação de água corrente, temperatura e alcalinidade é usada para acelerar o curso natural de hidrólise do tecido. O processo é totalmente digno.”

A água servida, com os órgãos e tecidos dissolvidos, acrescenta o panfleto, é um ótimo fertilizante que pode ser usado, por exemplo, nas flores de um jardim. Os ossos são triturados, produzindo o equivalente à urna de cinzas das cremações.

A aquamação permite ainda que próteses metálicas sejam recuperadas e reutilizadas.