Tarde demais para nos esconder

Estadão

27 Abril 2010 | 08h15

A declaração do físico Stephen Hawking, de que não seria sábio buscar contato com civilizações tecnologicamente mais avançadas que a nossa, ganhou um grande destaque. Menos atenção, no entanto, recebeu a resposta  postada no Twitter pelo astrônomo Seth Shostak, do Instituto SETI — uma organização que busca, exatamente, descobrir vida inteligente fora da Terra.

“Eis a questão”, escreveu ele. “Qualquer sociedade capaz de vir até à Terra é capaz de ver os nossos postes de rua”.

Isso não é tão absurdo quanto pode parecer. No mesmo dia em que as declarações de Hawking ganharam repercussão mundial, um consórcio de países europeus anunciou a construção de um supertelescópio no Chile, que vai observar planetas rochosos girando em torno de estrelas distantes.

E mesmo hoje, anos antes desse telescópio gigantesco ser construído, astrônomos já observam rotineiramente os chamados trânsitos de planetas distantes, que ocorrem quando esses mundos cruzam a linha de visão que liga a Terra à estrela em torno da qual orbitam.


Instrumentos são capazes de comparar a luz que vem da direção da estrela antes, durante e depois do trânsito. Assim, mesmo sem ver diretamente o planeta, cientistas conseguem deduzir que tipo de radiação ele emite e determinar, por exemplo, a composição de sua atmosfera. Um dia, essa técnica poderá descobrir grandes quantidades de oxigênio no ar de um mundo alienígena — o que seria um forte indício da presença de vida.

pioneer-plaque

Ilustração das placas de ouro inseridas nas sondas Pioneer 10 e 11, com a localização do Sistema Solar

Não é preciso muita imaginação para supor que um povo dotado da capacidade de viajar entre as estrelas tenha também instrumentos de pesquisa astronômica muito mais avançados que os nossos.

Não são, portanto, os sinais de rádio com mensagens em código emitidos pela antena de Arecibo, nem as placas  de ouro das sondas espaciais da década de 70 que vão nos denunciar — se é que há alguém lá fora para receber a denúncia. É, simplesmente, o fato bastante saliente de a  Terra ter os dois hemisférios iluminados ao mesmo tempo!