Uísque 12 anos; gelo, 12.000

Estadão

15 Dezembro 2009 | 18h13

Hoje saí de manhã em companhia do geofísico Luciano Marani em busca de amostras de gelo de 12.000 anos. Ontem, uma geleira desmoromou parcialmente aqui perto, o que abriu a perspectiva de haver pedaços de água solidificada 6.000 anos antes de a espécie humana inventar a escrita caídos por aí.

E, de fato, não foi difícil econtrá-los. Luciano explicou que esse gelo antigo, submetido à pressão das camadas de neve que se depositam sobre ele a cada ano, assume características específicas, como uma coloração muito transparente, uma virtual ausência de bolhas de ar visíveis em seu interior e uma estrutura cristalina própria.

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Já o gelo mais novo é branco, poroso, cheio de gás e, obviamente, muito mais abundante.

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Como já mencionei na primeira postagem de hoje, é provável que eu e mais um grupo de pessoas — os demais jornalistas e o pessoal do Arsenal de Marinha que trabalha aqui em Ferraz — partamos na madrugada de quarta-feira para a base chilena de Eduardo Frei. O pessoal que fica está, muito gentilmente, preparando uma festa de despedida, e eu creio já ter visto uma garrafa de scotch por aqui.

Existe uma piada neozelandesa sobre um cientista que veio à Antártida estudar os efeitos do gelo de 12.000 anos no uísque de 12, e que ao final do experimento não estava em condições de anotar os dados — o que o forçava a repetir a degustação ad infinitum.

Nem tenho a pretensão de fazer um sacrifício desses pela ciência, mas não seria egoísta a ponto de me recusar a participar de uma rodada de testes. Ou duas.