Viajando no tempo via relatividade

Estadão

04 Maio 2010 | 10h34

O físico Stephen Hawking (cuja opinião sobre civilizações extraterrestres discutimos na semana passada) defendeu, em uma entrevista, a construção de uma máquina do tempo relativística, na qual o efeito de dilatação do tempo previsto na Teoria da Relatividade Restrita ajudaria a manter o crononauta vivo e jovem enquanto séculos ou milênios passariam para a gente aqui fora.

A ideia, considerações práticas e éticas à parte, é bastante sólida. Na verdade, o mundo já conta com dois crononautas reconhecidos: os cosmonautas russos Sergei Avdeyev e Sergei Krikalev. Ambos acumularam, em suas carreiras, mais de dois anos em órbita da Terra (747,593 dias e 803,371 dias, respectivamente).

Na velocidade de cruzeiro das estações espaciais Mir e ISS, de cerca de 27.000 km/h, isso significa que cada um deles é 2% de um segundo mais jovem do que deveria ser se nunca tivesse saído da Terra — ou seja, viajou 2% de um segundo para o futuro. Não é muita coisa, mas já é um começo.

krikalev

Sergei Krikalev, um dos dois cosmonautas a viajar no tempo

Como se pode ver, o efeito da dilatação temporal é muito pequeno. Existem vários calculadores online (é só dar um “relativity calculator” ou “time dilation calculator” no Google para achá-los) que determinam o fator de correção a ser aplicado à duração de uma viagem, dependendo da velocidade, para determinar quanto se avançou para o futuro. Para qualquer velocidade razoável o fator arredonda-se facilmente para “1”, ou seja, correção nenhuma.

A 800 km/h — velocidade média de um voo entre Brasil e Europa — o fator que o Relativity Calculator oferece é 1,0000000000269262. A 60 km/h, o fator fica em 1,0000000000000016.

Isso quer dizer que cada segundo passado no ônibus em movimento indo para o trabalho (o tempo parado em sinais fechados e congestionamentos não conta!)  retarda seu envelhecimento natural em 0,0000000000000016 segundo. Se não me enrolei muito nas contas, essa fração representa mais ou menos 1 nanossegundo para cada 20.000 horas de trânsito a 60 km/h.

Para ganhar um ano, seriam necessários 7 bilhões de bilhões de anos de movimento constante, o que é bem mais que a idade atual do Universo.