Yes, homens caminharam sobre a Lua!

Estadão

20 Agosto 2010 | 08h00

Cada vez que publico no estadão.com.br alguma coisa a respeito da Lua (por exemplo, esta entrevista com um cientista que acredita que o satélite encolheu ao longo do último bilhão de anos) surgem comentários pondo em dúvida a realidade das missões Apollo 11 a 17 — das quais todas, com exceção da 13, puseram homens na superfície da Lua.

De acordo com farta documentação histórica, entre 1969 e 1972, 12 seres humanos caminharam sobre o satélite da Terra, metade dos quais pilotou veículos motorizados na superfície lunar. Desses, nove ainda estão vivos.

É concebível que tudo não tenha passado de uma farsa, implementada pelo governo dos EUA e que vem contando, desde então, com a cumplicidade, não só dos mais de 40 astronautas e milhares e funcionários ligados ao projeto Apollo, mas também de historiadores, jornalistas e cientistas de todas as partes do mundo, incluindo de países que já foram inimigos e ainda hoje são rivais dos Estados Unidos?

Claro que é. Da mesma forma que é concebível uma grande conspiração universal para nos convencer de que a Terra é redonda e não chata (como, evidentemente, qualquer um pode ver), ou para ocultar o “fato” de que o registro fóssil é, na verdade, formado por animais mortos durante dilúvio da Arca de Noé.

Como já bem notou o matemático Roger Penrose (e duvido que ele tenha sido o primeiro), nem tudo que a mente humana é capaz de conceber  encontra correspondência na realidade física. Ele estava falando de abstrações matemáticas, mas o mesmo se aplica a conspirações.

Ano passado, como parte das celebrações das quatro décadas do pouso de Armstrong e Aldrin no módulo Águia, preparei uma lista de perguntas e respostas sobre as “provas” de que o homem jamais teria estado na Lua. Infelizmente, não consegui dar “Ctrl C”-“Ctrl V” na relação para reproduzi-la dentro do blog, mas o endereço dela ainda está funcionando e pode ser acessado aqui.

Gene Cernan, da Apollo 17, saúda a bandeira

Gene Cernan, da Apollo 17, saúda a bandeira

Ali, respondo a questões que vão desde a bandeira que parece tremular no vácuo aos malignos cinturões de Van Allen, passando por uma série de questões relativas às fotografias, como a intensidade das sombras, a ausência de estrelas no céu e outros clássicos do negacionismo lunar.

Não tenho a ilusão de que meu quiz vá convencer os mais fanáticos, mas tenho a esperança de que possa ajudar a esclarecer algum espírito curioso que tenha, por um motivo ou outro, caído no conto do negacionsimo.

ADENDO:

Um comentário publicado no quiz menciona o fato de que a superfície lunar não é uniformemente branca, mas apresenta tons de cinza. Penitencio-me: quando escrevi que a superfície lunar era “branca e brilhante”, eu estava condensando um argumento mais longo que trata de uma propriedade da poeira lunar de refletir luz de volta para fonte, o que opera atenuando as sombras. A descrição completa pode ser encontrada na detalhada e definitiva desmistificação da “fraude lunar” feita por Phil Plait, em seu site Bad Astronomy.

ENIGMA

E agora, para animar o fim de semana, um enigma matemático clássico de que me lembrei ao fazer a história do encolhimento lunar: de acordo com a hipótese de Thomas Watters, a Lua teria perdido 100 metros de raio no último bilhão de anos. Suponha, então, que houvesse uma corda amarrada rente ao redor do equador lunar, 1 bilhão de anos atrás. Hoje, se ainda estivesse lá, a corda apresentaria uma folga, já que a Lua encolheu. Pergunta: quantos metros de corda estariam sobrando?