Saturno oferece incrível espetáculo duplo: duas auroras que são formadas apenas a cada 15 anos

Telescópio Hubble capta raro fenômeno que ocorre apenas a cada 15 anos em um dos planetas mais intrigantes: a aurora de Saturno.

taniager

12 Fevereiro 2010 | 14h42

Esta imagem de Saturno tirada pelo Hubble é única desde o início de 2009. Ela oferece uma visão deslumbrante de suas duas auroras. Criadas pela interação do vento solar com o campo magnético do planeta, as auroras de Saturno são análogas à da luz mais familiar do norte e sul da Terra. No momento em que o Hubble bateu esta foto, Saturno se aproximava do seu equinócio. Nela, os raios do Sol iluminam os dois pólos. A aurora oval do norte é um pouco menor e mais intensa que o do sul, o que implica que o campo magnético de Saturno não é igualmente distribuído por todo o planeta. Ele é um pouco desigual e mais forte no norte. (Crédito: NASA, ESA e Jonathan Nichols (University of Leicester))

Esta imagem de Saturno tirada pelo Hubble é a única desde o início de 2009. Ela oferece uma visão deslumbrante de suas duas auroras. Criadas pela interação do vento solar com o campo magnético do planeta, as auroras de Saturno são análogas à da luz mais familiar do norte e sul da Terra. No momento em que o Hubble bateu esta foto, Saturno se aproximava do seu equinócio. Nela, os raios do Sol iluminam os dois pólos. A aurora oval do norte é um pouco menor e mais intensa que a do sul, o que implica que o campo magnético de Saturno não é igualmente distribuído por todo o planeta. Ele é um pouco desigual e mais forte no norte. (Crédito: NASA, ESA e Jonathan Nichols (University of Leicester))

Saturno é sem dúvida o planeta mais intrigante do nosso sistema solar por seu tamanho e seus anéis. Como se isto não bastasse, o telescópio espacial Hubble captou um raro fenômeno que ocorre a cada quinze anos: a aurora de Saturno. A imagem foi divulgada pela NASA recentemente.

Desde que o Habble iniciou sua missão em 1990, ele tem tirado fotos de Saturno em diferentes ângulos. Com a aproximação de seu equinócio em 2009, o Sol o ilumina por inteiro, razão pela qual ele pode ser fotografado com seus pólos visíveis.  O equinócio ocorre quando os raios de uma estrela atingem perpendicularmente o equador de um planeta. Em Saturno, que leva quase trinta anos para percorrer a órbita em torno do Sol, o equinócio é uma rara oportunidade de refletir a imagem de seus pólos porque ocorre apenas duas vezes nesse período.

As observações recentes vão bem além de apenas uma imagem estática.

Elas permitiram que os pesquisadores monitorassem o comportamento de ambos os pólos de Saturno ao mesmo tempo durante um longo período. O filme que eles criaram a partir dos dados recolhidos ao longo de vários dias, durante janeiro e março de 2009, ajudou os astrônomos a estudar as auroras do norte e as do sul de Saturno. Dada a raridade do evento, o novo vídeo provavelmente será o último e o melhor registro do equinócio que o Hubble já fez do nosso vizinho planetário.

Apesar de seu afastamento, a influência do Sol ainda é sentida por Saturno. O Sol emite constantemente partículas que atingem todos os planetas do Sistema Solar como o vento solar. Quando esse fluxo eletricamente carregado se aproxima de um planeta com um campo magnético, como Saturno ou a Terra, o campo aprisiona as partículas, que ficarão então oscilando entre seus dois pólos.

Uma conseqüência natural da forma do campo magnético deste planeta é uma série de linhas de tráfego invisíveis existentes entre os dois pólos ao longo das quais as partículas eletricamente carregadas são confinadas e oscilam entre os pólos. O campo magnético é mais forte nos pólos e as partículas tendem a se concentrar lá, onde elas interagem com os átomos nas camadas superiores da atmosfera criando auroras, o brilho familiar que os habitantes das regiões polares da Terra conhecem como luzes do norte e do sul.

À primeira vista, as luzes das auroras de Saturno parecem simétricas nos dois pólos. No entanto, analisando os novos dados com maior detalhe, os astrônomos descobriram algumas diferenças sutis entre as auroras norte e sul que revelaram informações importantes sobre o seu campo magnético. Segundo os cientistas, a aurora oval do norte é um pouco menor e mais intensa que a do sul em razão de o campo magnético de Saturno não ser igualmente distribuído por todo o planeta. Ele é um pouco desigual e mais forte no norte. Este fato insinua que as partículas eletricamente carregadas do norte, ao serem aceleradas, atingem um nível maior de energia que as do sul quanto são atiradas em direção à atmosfera.

A observação do fenômeno confirmou o resultado obtido anteriormente pela sonda espacial Cassini em órbita ao redor do planeta dos anéis desde 2004.