Sobrevivência dos “fofinhos” prova teoria da evolução de Darwin

Cães domésticos têm seguido o curso da evolução de forma singular: vencem os mais aptos a receber um carinho e ração na tigela.

taniager

23 Janeiro 2010 | 14h46

Os cães domésticos têm seguido seu próprio padrão evolucionário de sobrevivência, driblando a diretiva darwiniana de “sobrevivência do mais apto a satisfazer suas necessidades

Os cães domésticos têm seguido seu próprio padrão evolucionário de sobrevivência, driblando a diretiva darwiniana de “sobrevivência do mais apto a satisfazer suas necessidades

Biólogos da Universidade de Manchester e o Dr Drake Abby do Colégio Santa Cruz,  EUA, obtiveram recentemente um resultado que reforça a teoria da evolução de Darwin ao realizar estudos em crânios de cães domésticos. Segundo estes pesquisadores, os cães domésticos têm seguido o curso da evolução de forma singular: vence o mais querido pelos seres humanos. 

Você pode estar pensando que o cão doméstico, por sua dependência ao ser humano, caminha para sua extinção porque ele fica longe de variações que afetam suas funções de respiração e mastigação – não precisa matar ou correr atrás de alimentos. Mas, a diretiva de sobrevivência “ vence o mais apto a satisfazer suas necessidades”, de Darwin, foi driblada por esses caninos. 

O estudo, publicado no The American Naturalist em 20 de janeiro de 2010, compara as formas dos crânios de cães domésticos com as diferentes espécies da ordem Carnívora à qual pertencem os cães, juntamente com gatos, ursos, doninhas, gambás e até focas e morsas entre outros. Pelo resultado da pesquisa, os formatos dos crânios de cães domésticos variam tanto quanto em animais diferentes de toda a ordem dos carnívoros. Ele mostrou também que a diversidade de formatos de crânios entre cães domésticos era maior do que a diversidade encontrada entre os outros animais da mesma ordem. Isso significa, por exemplo, que o formato do crânio de um collie difere bem mais daquele do pequinês, em comparação com a diferença observada entre o do gato e o da morsa.

Conforme explicação de Dr. Drake, pensar a evolução como um processo lento e gradual pode ser um equívoco. Isto porque, a grande diversidade encontrada entre cães domésticos se originou da criação seletiva nos últimos cem anos e, particularmente, depois que a criação das modernas raças de cães de raça pura foi estabelecida nos últimos 150 anos, apesar de a ordem carnívora remontar há pelo menos 60 milhões de anos. A seleção natural foi relaxada e substituída pela seleção artificial de várias formas que os criadores favorecem.

 A enorme diversidade nas formas de crânios dos cães é uma prova substancial de que a seleção desempenha um importante papel na evolução e que a diversidade que separa as espécies, e até mesmo as famílias, pode ser gerada dentro de uma única espécie, neste caso em cães. Muito da diversidade dos crânios de cães domésticos extrapola a variação nos carnívoros, e apresenta formatos de crânios que são inteiramente novos. 

Como o estudo foi realizado

Juntamente com o Dr Klingenberg, Drake comparou a quantidade surpreendente de diversidade em cães, em toda a ordem Carnívora. Os dois pesquisadores mediram as posições dos 50 pontos reconhecíveis em crânios de cães e em seus “primos” pertencentes a esta ordem. Em seguida analisaram a variação da forma com métodos recentemente desenvolvidos. A equipe dividiu as raças de cães em categorias de acordo com a função, como a caça, pastoreio, guarda e cães de companhia. Eles descobriram que cães de companhia (ou PET) apresentaram maior variedade que todas as outras categorias juntas.

Segundo afirmou Drake, os cães ao serem criados pela sua aparência e não para fazer um trabalho, ampliam o escopo de variação que os habilita para a sobrevivência e reprodução.

O estudo ilustra o poder da seleção darwiniana de produzir uma gama muito grande de variação em um período muito curto de tempo. “A evidência é muito forte”, afirmou Dr Klingenberg