Abelhas enxergam tonalidades imperceptíveis para humanos

As abelhas podem ver cores, mas elas percebem o mundo diferente de nós, incluindo variações de tonalidade que não conseguimos distinguir.

taniager

14 Dezembro 2010 | 09h19

A imagem acima mostra uma fotografia com filtro de uma Zínia (Sanvitalia procumbens). Ela é apenas um exemplo das cores 'ocultas' para nós. As cores como vemos está mostrada à esquerda e as sombras de UV, que não vemos, à direita. Crédito: Queen Mary/University of London and Imperial College London.

A imagem acima mostra uma fotografia com filtro de uma Zínia (Sanvitalia procumbens). Ela é apenas um exemplo das cores 'ocultas' para nós. As cores como vemos está mostrada à esquerda e as sombras de UV, que não vemos, à direita. Crédito: Queen Mary/University of London and Imperial College London.

As abelhas podem ver cores, mas elas percebem o mundo diferente de nós, incluindo variações de tonalidade que nós próprios não conseguimos distinguir. Pesquisadores no Queen Mary, Universidade de Londres e Imperial College, Reino Unido, desenvolveram um banco de dados de refletância floral – FReD (do inglês Floral Reflectance Database)  –  que contém dados de como a cores das flores são para as abelhas. O desenvolvimento do catálogo está descrito na revista PLoS ONE.

As abelhas desenvolveram mecanismos de detecção de cor completamente diferentes daqueles dos seres humanos e podem ver cores fora de nossas próprias capacidades na gama ultravioleta. Segundo Lars Chittka da faculdade de Ciências Biológicas e Química, ” a pesquisa destaca que o mundo que vemos não é físico ou o mundo ‘real’ – diferentes animais têm sentidos muito diferentes, dependendo do ambiente em que operam”.

Chittka e sua equipe mediram a refletância espectral de um número de flores em diferentes locais e analisaram o que as abelhas percebem, incluindo diferentes tons de ultravioleta. O banco de dados foi construído do ponto de vista das abelhas e permite visualizar como as cores podem ser alteradas em zonas com elevada radiação de UV, por exemplo.


Os mais de dois mil registros de cores que as abelhas vêm do FReD  fornecem uma compreensão melhor da estratégia atingida pelas flores. Este banco de dados poderá ajudar os biólogos a entender como as plantas se envolveram em diferentes habitats – da biodiversidade dos pontos quentes da África do Sul aos habitats da Europa do Norte – e mostrar como as cores das flores mudaram através do tempo. Também poderá propiciar uma abordagem sobre como as mudanças estão relacionadas aos diferentes insetos que as polinizam, além de outros fatores em seu ambiente local que contribuíram para aumentar a reprodução das plantas.

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