Abelhas preferem flores com néctar que possui nicotina e cafeína

Plantas podem ter tido vantagem evolutiva pela presença de substâncias; novos estudos serão feitos para saber se abelhas são "dependentes".

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11 Fevereiro 2010 | 15h15

Novos estudos podem ajudar a compreender se as abelhas são

Novos estudos podem ajudar a compreender se as abelhas são "dependentes" de nicotina e cafeína do néctar de algumas plantas.

Você é do tipo politicamente incorreto, que precisa de um cafezinho acompanhado de um cigarrinho para começar bem o dia? Talvez você não seja o único da espécie. Na verdade, não só da própria espécie: há outros seres vivos que podem adotar o mesmo ritual. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Haifa, em Israel, as abelhas que produzem mel são chegadas em tipos de néctar com uma pequena quantidade de nicotina e cafeína.

O néctar da flor é composto principalmente de açúcares, que fornecem energia para os polinizadores essenciais. Mas, em algumas espécies de plantas, há também uma pequena quantidade de substâncias reconhecidamente tóxicas – como a cafeína e a nicotina. O estudo tinha o objetivo de verificar se essas substâncias tinham a função de “seduzir” as abelhas, ou se eram apenas subprodutos com nenhum papel específico.

A nicotina é encontrada naturalmente no néctar floral a uma concentração de até 2,5 miligramas por litro, sobretudo em algumas árvores de tabaco. A cafeína é encontrada em níveis de concentração de 11 a 17,5 miligramas por litro, principalmente em flores cítricas. No néctar de toranja, porém, há uma concentração elevada de cafeína, chegando a 94,2 miligramas por litro.

Com o intuito de verificar se as abelhas preferem néctar com nicotina e cafeína, os pesquisadores ofereceram néctar artificial, composto por diferentes quantidades de açúcares e várias concentrações de cafeína e nicotina.

Como qualquer fumante poderia esperar, as abelhas preferiram claramente o néctar contendo nicotina e cafeína. O preferido foi justamente o que tinha uma concentração de 1 miligrama de nicotina por litro, similar ao encontrado na natureza. Ao oferecer néctar com níveis de nicotina mais elevados e néctar “limpo”, as abelhas preferiram a segunda opção.

De acordo com os pesquisadores, é difícil determinar com certeza se as substâncias que causam dependência no néctar tornara-se presentes ao longo do processo evolutivo – para uma polinização eficiente. Entretanto, é de se supor que as plantas que sobreviveram à seleção natural são as que “corrigiram” os níveis destas substâncias, permitindo atrair (e não repelir) abelhas, o que dá uma vantagem significativa em relação a outras plantas. Novos estudos precisam ser feitos para verificar se a preferência pelo néctar com nicotina e cafeína é apenas uma questão de gosto, ou se, de fato, as pequeninas estão a sofrer de dependência.