Ablação por laser guiado por ressonância "mata" tumores

Técnica já usada no tratamento de tumores da coluna, cérebro e próstata foi adpatada para atuar contra tumores do fígado e do rim.

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14 Outubro 2010 | 14h55

Médicos da Clinica Mayo tiveram sucesso ao usar uma técnica conhecida como ablação por laser guiado por ressonância magnética para aquecer e destruir tumores do rim e do fígado. Até agora, cinco pacientes foram submetidos à terapia e nenhum tumor visível permaneceu após o procedimento.

Embora este tipo de técnica esteja em fase de desenvolvimento, a equipe afirma que o tratamento é potencialmente eficaz contra a maioria dos tumores no corpo – primários ou metastáticos . Contudo, é preciso que os tumores sejam em pequena quantidade em um mesmo órgão e tenham menos de cinco centímetros. Os pacientes também não podem usar marca-passo ou implantes metálicos, já que o procedimento é feito dentro de uma máquina de ressonância.

“A ablação por laser nos oferece uma forma de segmentar com precisão e matar os tumores sem prejudicar o resto do órgão”, ressalta Eric Walser, radiologista que foi pioneiro na técnica da Mayo. “Acreditamos que há uma série de usos potenciais da técnica, o que é bastante excitante”.

Nos EUA, a ablação a laser é usada principalmente no tratamento de tumores da coluna, cérebro e próstata, mas não é permitido para tumores de tecidos moles. Apenas alguns poucos centros médicos adaptaram a técnica para tumores fora do cérebro. Walser então aprendeu a técnica na Itália e adaptou aos pacientes da clínica, na maioria pessoas cuja cirrose induziu a formação de tumores no fígado. Este grupo não pode se submeter à quimioterapia, pois está na fila de transplantes. Nestes casos, o procedimento é bem-vindo.

O procedimento ambulatorial é realizado dentro de um aparelho de ressonância magnética, que pode precisamente controlar a temperatura dentro dos tumores. Uma agulha especial é inserida diretamente no tumor e o laser é ativado para fornecer energia luminosa. A técnica permite aos médicos controlar a temperatura e identificar exatamente a região afetada pelo procedimento. Quando um tumor e parte do tecido que o rodeia (um portão de entrada para as células cancerosas) são aquecidos a ponto de serem destruídos, o laser é desligado. Em tumores maiores, várias agulhas são inseridas ao mesmo tempo.

Os pacientes recebem anestesia porque não podem se mover durante os cerca de 3 minutos de procedimento. Os efeitos colaterais pós-tratamento incluem dor local e sintomas semelhantes à gripe, já que o corpo reage para absorver o tecido destruído. Estes efeitos somem entre três dias e uma semana.

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