Adenovírus e droga podem combater metástase do câncer de rim

Método parece não apenas matar células cancerosas no tumor primário, mas também em locais distantes que não são infectados pelo vírus.

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15 Dezembro 2010 | 13h17

Pesquisadores da Virginia Commonwealth University desenvolveram uma terapia genética baseada em um vírus para tratar o carcinoma de células renais. O método parece eficiente não apenas para matar células cancerosas no tumor primário, mas também em tumores distantes que não são diretamente infectados pelo vírus. A técnica dá esperança a milhares de pessoas, já que esta é a forma mais comum de câncer de rim em adultos e para o qual não há terapia eficaz.

A equipe testou uma droga já aprovada nos EUA – a sorafenib (Nexavar) – em conjunto com um adenovírus – Ad.5/3-mda-7. Adenovírus são vírus conhecidos por infectar o trato respiratório superior. Mas, quando usados para fins terapêuticos, o material genético nocivo é substituído por um código genético que ativa processos biológicos no interior das células infectadas. Neste experimento, o adenovírus foi programado para expressar uma proteína que protege células saudáveis e que ativa o ataque contra as células cancerosas dos rins.

“Embora mais pesquisa seja necessária, esta terapia pode ser uma nova e eficaz maneira de tratar o câncer renal metastático e prolongar a vida do paciente”, explica Paul Dent, responsável pelo trabalho. “Este é o primeiro estudo que define claramente que a entrega do gene terapêutico do MDA-7/IL-24 no cancro de rim deve ser explorado clinicamente, especialmente porque demonstramos que uma família de drogas aprovadas pela FDA (Food and Drug Administration) aumenta a a sua toxicidade para células cancerosas”.

Em modelos animais, a injeção do vírus desencadeou a expressão da proteína “protetora” em células cancerosas e saudáveis dos rins. No local do tumor primário, onde o composto foi aplicado, a proteína secretada fez com que o tumor parasse de crescer. Atingindo a corrente sanguínea, ainda impediu que outros tumores fossem formados. As células saudáveis, por sua vez, não foram afetadas.

“As terapias genéticas com adenovírus são ainda muito novas, mas representam uma ferramenta potencialmente poderosa na luta contra o câncer”, ressalta Paul Fisher, também envolvido no estudo. “Nosso objetivo final é levar a nossa pesquisa do laboratório para os pacientes. E, com base em nossos resultados, esperamos que estas terapias sejam eficazes contra diversos tipos de câncer”.

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