Adeus, bactérias: plasma frio pode ser alternativa aos antibióticos

Tratamento de dez minutos com plasma de baixa temperatura é capaz de matar bactérias resistentes aos medicamentos existentes.

taniager

15 Dezembro 2010 | 13h09

Os pratos com ágar e sangue inoculado com a bactéria hemolítica Staphylococcus aureus são mostrados: tratados com plasma (à esquerda) e não tratados (à direita). Crédito: Shaginyan, Yurov, Ermolaeva.

Os pratos com ágar e sangue inoculado com a bactéria hemolítica Staphylococcus aureus são mostrados: tratados com plasma (à esquerda) e não tratados (à direita). Crédito: Shaginyan, Yurov, Ermolaeva.

Jatos de plasma frio poderão ser uma alternativa segura e eficaz aos antibióticos para tratar infecções resistentes a múltiplas drogas, diz um estudo publicado esta semana no  Journal of  Medical Microbiology.

A equipe de pesquisadores russos e alemães mostrou que um tratamento de dez minutos com plasma de baixa temperatura não só era capaz de matar bactérias resistentes aos medicamentos que causam infecções em ratos, mas também aumentar a taxa de cicatrização das feridas. Os resultados sugerem que os plasmas frios poderiam ser um método promissor no tratamento de infecções crônicas em feridas onde outras abordagens falharem.

A equipe do Instituto Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia de Moscou, Rússia, testou uma “tocha de plasma” de baixa temperatura contra espécies bacterianas como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. Estas espécies são comumente as culpadas pelas feridas com infecções crônicas e capazes de resistir à ação dos antibióticos, porque podem crescer juntas em camadas protetoras chamadas biofilmes. Os cientistas mostraram não só que esse plasma era letal para até 99% das bactérias em biofilmes em crescimento em laboratório, após cinco minutos, mas também que o plasma matou cerca de 90% das bactérias (em média) que infectavam feridas de pele em ratos após dez minutos.

Os plasmas são conhecidos como o quarto estado da matéria depois de sólidos, líquidos e gases e são formados quando processos de alta energia tiram átomos de seus elétrons para produzir fluxos de gás ionizado em alta temperatura. Eles têm um número crescente de aplicações técnicas e médicas e plasmas quentes já são usados para desinfetar instrumentos cirúrgicos.

Segundo a líder da equipe, Svetlana Ermolaeva, o recente desenvolvimento de plasmas frios com temperaturas de 35-40 °C faz da tecnologia uma opção atraente para tratar infecções. “Plasmas frios são capazes de matar bactérias ao danificar o DNA microbiano e as estruturas superficiais sem serem prejudiciais para os tecidos humanos. O mais importante foi que demonstramos que o plasma é capaz de matar as bactérias que crescem em biofilmes nas feridas, embora biofilmes mais espessos mostrem alguma resistência ao tratamento.”

Ermolaeva, acrescenta que a terapia de plasma não permite que micróbios desenvolvam resistência, além de ser livre de contato, dor e não contribuir para a contaminação química do meio ambiente.

effective
resistant