Afinando a percepção: “dom” de especialistas é puro aprendizado

Um degustador pode saber tudo sobre um vinho no primeiro gole, um pintor vê nuanças sutis que não vemos. Por quê?

taniager

18 Maio 2011 | 15h46

Região no córtex pré-frontal, importante para a aprendizagem. Crédito: Charité  –  Universitätsmedizin Berlin.

Região no córtex pré-frontal, importante para a aprendizagem. Crédito: Charité – Universitätsmedizin Berlin.

Um degustador pode saber tudo sobre um vinho no primeiro gole, um pintor vê nuanças sutis que não vemos e cegos podem distinguir texturas em uma superfície que para nós são imperceptíveis. Por quê? A resposta pode ser encontrada em artigo intitulado Perceptual Learning and Decision-Making in Human Medial Frontal Cortex, publicado na revista Neuron recentemente.

A equipe – composta de pesquisadores da Universidade Charité de Berlim, do Centro Bernstein de Berlin, do Centro de Excelência NeuroCure e da Universidade Otto-von-Guericke de Magdeburg na Alemanha – pôde definir quais áreas do cérebro estão especificamente ativas quando habilidades perceptivas são treinadas e como as pessoas se tornam especialistas.

O que torna alguém um especialista não é o aumento da resolução com que o cérebro codifica seu ambiente, mas sim a capacidade de aprender a diferenciar melhor os detalhes. Esta conclusão partiu do exame da mudança de atividades cerebrais durante o processo de aprendizagem feito pela equipe liderada pelo diretor do Centro de Imageamento Neural Avançado na Charité, John-Dylan Haynes.

Os pesquisadores mediram as mudanças na atividade de células nervosas no cérebro com a ajuda de ressonância magnética durante o aprendizado de diferenças entre imagens visuais dos participantes. As medições mostraram claramente que a atividade no centro visual permanece a mesma durante todo o processo de aprendizagem, mas a região do córtex pré-frontal, importante para a interpretação de estímulos, foi ficando cada vez mais envolvida. A conclusão foi a de que o processo de aprendizagem ocorre no nível da tomada de decisão.

“Se nossa percepção é aguçada no aprendizado, então, isto não se deve tanto ao fato de que mais informações chegam ao cérebro”, explica Haynes. “Em vez disso, nós aprendemos mais e mais para interpretar corretamente as informações dadas. Nós vemos detalhes nas imagens que não víamos no início”.