Águas "antigas" ajudam cientistas a decifrarem flutuações de CO2

Quando o gelo do mar recuou no final da idade do gelo, ventos de superfície retornaram ligando as correntes do oceano , aflorando o CO2 armazenado.

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28 Maio 2010 | 11h36

 vida de foraminíferos. Estudando os restos dessas criaturas minúsculas ajudou o Dr. Stewart Fallon e seus colegas criar uma cronologia de misturar água no Oceano Antártico. Foto: K. James

Estudo dos restos de foraminíferos permitiu criar uma cronologia para as "águas misturadas" do Oceano Antártico. Crédito: K. James-ANU.

A descoberta de algumas das mais antigas águas da Terra está ajudando cientistas da Universidade Nacional Australiana a compreenderem a ligação entre o carbono armazenado no Oceano Antártico e as flutuações dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera. Os resultados do trabalho podem ter implicações no clima do planeta no futuro.

Os pesquisadores analisaram uma amostra do solo do oceano ao sul do Atlântico, perto da Antártica. A equipe usou animais minúsculos presos ao solo para descobrir por que os níveis atmosféricos de dióxido de carbono aumentaram consideravelmente a partir do fim da idade do gelo, há cerca de 19500 anos.

Estas flutuações nos níveis do dióxido de carbono eram um enigma. “Muitas pessoas tinham teorias sobre a quantidade de dióxido de carbono e a idade deste dióxido de carbono variava muito no fim da era do gelo, mas ninguém descobriu uma fonte tão rica de carbono antigo”, explica Stewart Fallon.

“Nosso estudo sugere que a era do gelo põe um fim à mistura do oceano no fundo dos mares do sul, o que significa que a água permaneceu relativamente adormecida por um longo período”, ressalta Stewart. “Este estoque água armazenou muito carbono, impedindo sua circulação nos níveis mais superficiais do oceano e, portanto, a sua mistura com a atmosfera. Quando o gelo do mar recuou no final da idade do gelo, os ventos de superfície retornaram ligando as correntes do oceano profundo de volta, aflorando o carbono armazenado e misturando isso com a atmosfera”.

A equipe conseguiu criar uma cronologia para a mistura de água ao estudar os restos de animais microscópicos chamados foraminíferos. Eles usaram um novo espectrômetro de massa com acelerador para calcular o carbono nestas amostras, que analisa o decaimento de isótopos de carbono para determinar a idade do objeto.

Embora o estudo tenha fornecido provas concretas para explicar a flutuação do carbono atmosférico durante a idade do gelo, outras pesquisas ainda são necessárias. “Nós só fomos capazes de explicar um pouco mais da metade da grande queda de dióxido de carbono na idade do carbono durante o intervalo misterioso”, explica Fallon.

O trabalho é importante porque mostra a estabilidade da circulação de água no oceano, e as diferenças entre o carbono existente no fundo do mar e na atmosfera. Algumas pessoas propõem que este problema pode ser resolvido pelo bombeamento do CO2 no fundo do mar. Entretanto, a profundidade não é algo estável. Funciona mais como um conjunto dinâmico de carbono, sensível ao clima.

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