Muito além do crânio: cérebro tem um sistema próprio de defesa

Células dendríticas específicas aumentam com trauma para estimular defesa do organismo contra infecções, formando capa protetora na região afetada

root

22 Janeiro 2010 | 16h39

Novas pesquisas mostram um sistema especial de defesa no cérebro movido por células dendríticas (em verde) específicas, que estimulam células T (em vermelho) na luta contra infecções. Crédito: The Rockefeller University.

Novas pesquisas mostram um sistema especial de defesa no cérebro movido por células dendríticas (em verde) específicas, que estimulam células T (em vermelho) na luta contra infecções. Crédito: The Rockefeller University.

Bem mais parrudo do que você imagina. O cérebro humano pode ser um órgão delicado, mas é defendido por uma estrutura robusta: além de um crânio com uma espessura capaz de protegê-lo de qualquer exposição direta ao mundo exterior, tem um sistema próprio de defesas imunológicas. É o que indica nova pesquisa da Rockefeller University.

Em 2008, pesquisadores da universidade identificaram pela primeira vez uma população de células dendríticas (células imunes que fazem parte do sistema imunológico, responsáveis por capturar e transportas os antígenos para a drenagem nos linfonodos) específicas do cérebro. Eles demonstraram que estas células dendríticas do cérebro podem agrupar células T (soldados do organismo que lutam contra ameaças). Também mostraram que, diferente de outras células dendríticas do corpo, elas formam uma espécie de barreira ao redor do machucado que protege as células próximas.

“Nós sabíamos que (as células dendríticas) existiam no cérebro, e agora nós sabemos que elas são imunologicamente funcionais”, diz Karen Bulloch, diretor do programa.

As células dendríticas capturam e processam substâncias estranhas chamadas de antígenos, antes de apresentá-las às células T – que se multiplicam então para atacar os invasores. Para testar a atividade das mesmas no cérebro, os pesquisadores injetaram interferon-y (uma proteína produzida durante inflamações para combater agentes externos) no cérebro de ratos. Isso aumentou o número de células dendríticas no cérebro, sem, no entanto, que células dendríticas de outras partes do corpo fossem enviadas para a região.