Cientistas desenvolvem mapa global da expressão dos genes humanos

Cientistas desenvolvem mapa global da expressão dos genes humanos a partir da análise de 5.372 amostras de vários tecidos, células e doenças.

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09 Abril 2010 | 11h55

Imagem mostra as 5.372 amostras como pontos coloridos para os seis continentes por comparação de perfil e expressão de genes, em projeções tridimensionais visualizadas a partir de duas perspectivas diferentes. Crédito: Brazma-EMBL.

Imagem mostra as 5.372 amostras como pontos coloridos para os seis continentes por comparação de perfil e expressão de genes, em projeções tridimensionais visualizadas a partir de duas perspectivas diferentes. Crédito: Brazma-EMBL.

Desde que o Projeto Genoma Humano conseguiu reunir toda a informação genética do homem, alguns avanços significativas ocorreram no campo da Medicina e Biologia. Entretanto, muito mais está por vir, já que o emaranhado de dados contidos em cada pedaço do DNA, contido em cada célula do nosso corpo, precisa ainda ser interpretado. Dando um passo além nesse sentido, cientistas do European Bioinformatics Institute e colaboradores anunciaram a elaboração do primeiro mapa completo da expressão dos genes humanos. Ou seja, uma representação complexa de como certos genes codificam certas proteínas.

O mapa da expressão gênica – ou trasncriptoma – é uma forma de interpretar como certos sintomas ou características são desenvolvidos pelos homens a partir de um dado código genético: uma interpretação funcional dos genes. O feito é uma representação única das atividades genéticas, que podem determinar nossa aparência, função e comportamento. Embora cada célula do nosso corpo contenha a mesma sequência genética, exprime isso de forma diferente para dar origem a células e tecidos com propriedades especializadas.

A análise dos dados coletados de 163 laboratórios mundiais, envolvendo 5.372 amostras de vários tecidos humanos, tipos de células e doenças. A maioria dos experimentos comparou a expressão do gene em apenas alguns poucos tipos de células e condições e, apesar de tecnicamente desafiadora, a integração dessa informação em larga-escala criou uma nova maneira para cientistas explorarem a expressão genética. A análise é visualizada como um mapa, subdividindo o espaço da expressão do gene humano em seis grandes grupos ou “continentes”.


Os continentes agrupam amostras com assinaturas iguais da expressão de genes. Isso estabeleceu a identidade de cada grupo: cérebro, músculo, partes relacionadas ao sangue, saúde e tecidos sólidos tumorais, e células diferenciadas. Ao visualizar essa organização em 3D, similaridades de expressão de podem ser identificadas em cada grupo. Por exemplo: uma análise mostra que linhagens de células são mais parecidas umas com as outras do que em seus tecidos de origem.

Um novo serviço de bioinformática permite a qualquer pessoas explorar este mapa de expressão de genes: http://www.ebi.ac.uk/gxa/. A novidade foi publicada na Nature Biotechnology.

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