Alergia a medicamento pode ser resposta à reativação de vírus

Epstein Barr "desperta" e passa a se multiplicar após o uso de alguns remédios, desencadeando resposta do organismo.

root

27 Agosto 2010 | 16h45

Partículas virais de Epstein Barr. Crédito: Public Library of Science.

Partículas virais de Epstein Barr. Crédito: Public Library of Science.

Um estudo conduzido pelo Institut National de la santé et de la recherce médicale (Inserm), na França, mostra que algumas “alergias a medicamentos” são, na verdade reações do sistema imunológico a vírus adormecidos no organismo, como o Epstein Barr, da família do herpes. O uso de remédios poderia fazer com que os vírus começassem a se multiplicar novamente, provocando a resposta do corpo. Consequência: erupções cutâneas e distúrbios viscerais.

A equipe acompanhou 40 pacientes com sintomas de reação a medicamentos, submetidos a diferentes drogas – a maioria antibióticos e anticonvulsivantes. Os pesquisadores então analisaram a replicação viral, observando que em 76% dos indivíduos houve aumento do número de vírus Epstein Barr no sangue.

As análises em nível celular (linfócitos CD8+) mostram que a maioria das respostas imunes desses pacientes é dirigida contra as partículas virais. O organismo não reage contra o medicamento, como anteriormente se supunha, mas luta contra a invasão e reativação viral induzida pelo remédio.

Entretanto, o estudo não foi capaz de identificar como alguns medicamentos podem desencadear a ativação de vírus até então dormentes. Novas pesquisas devem detalhar os mecanismos subjacentes.

O Epstein Barr (EBV) é um vírus que deve ter infectado já 80% dos adultos em todo o mundo, mas em grande parte de forma assintomática. O vírus ataca linfócitos B, podendo levar à mononucleose infecciosa. Alguns estudos associam a presença do mesmo no organismo com doenças como a esclerose múltipla, linfoma de Burkitt, carcinoma nasofarígeo.

Veja também:

Mapa de proteína do vírus da herpes pode levar a novos tratamentos
Descoberta sobre infecção por herpes pode levar a novos tratamentos
Proteína que ajuda formação do cérebro restaura danos de esclerose
DNA de gêmeos mostra que genes têm papel menos decisivo na esclerose
Estatinas podem conter avanço da esclerose múltipla
Pesquisa sugere existência de dois tipos de esclerose múltipla
Radiação ultravioleta reduz sintomas da esclerose múltipla em ratos
Infecção do vírus Epstein-Barr pode ser a causa da esclerose múltipla