Alteração na resposta ao cheiro pode ter relação com diabetes 2

Identificados mecanismos específicos desencadeados pela ativação do sistema parassimpático que provocam produção de insulina.

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15 Março 2010 | 19h43

Pesquisadores apontam para mais um fator de risco ao diabetes tipo 2: uma mutação no gene que codifica a molécula ankirina-B.

Pesquisadores apontam para mais um fator de risco ao diabetes tipo 2: uma mutação no gene que codifica a molécula ankirina-B.

Uma alteração na reação do corpo ao cheiro ou gosto da comida pode estar associada ao diabetes tipo 2. Cientistas da Universidade de Duke, nos EUA, identificaram mecanismos específicos que demonstram que esta percepção ativa o sistema parassimpático a provocar a salivação e produção de insulina, diante da expectativa de que a glicose vai entrar no sangue. Em pessoas com uma mutação no gene que codifica a molécula ankirina-B, a secreção da insulina é afetada.

“Acreditamos que a resposta parassimpática é potencialmente importante no diabetes tipo 2”, afirma Vann Bennett, professor da universidade. Os resultados da pesquisa sugerem que uma deficiência na ankirina-B pode afetar significativamente os níveis de glicose na corrente sanguínea.

Em experiências anteriores, a equipe descobriu que células beta pancreáticas deficientes em ankyrin-B prejudicavam a secreção de insulina em roedores. Ratos deficientes tinham níveis elevados de glicose no sangue após comer. Então, os cientistas questionaram se as mutações envolvendo a perda de função da ankirina-B estaria associada ao diabetes em seres humanos.


A equipe utilizou amostras de famílias com diabetes tipo 2 para analisar 524 pessoas com o distúrbio e 498 não-diabéticos como controle. Eles estavam procurando três mutações na ankirina-B que anteriormente foram encontradas nos músculos do coração. Descobriram que uma dessas mutações ocorria em cerca de 1% dos caucasianos e hispânicos.

“Os estudos do genoma não conseguiram identificar mais do que uma pequena fração de hereditariedade do diabetes, assim como em outras doenças complexas”, explica Bennett. “Há estimativas de que apenas 6% tenham sido detectados em vários estudos do genoma”.

Bennett diz que os dados indicam que haja um grande reservatório de genes ainda não identificados que são fatores de risco para o diabetes tipo 2: “Estamos muito animados com os nossos achados em uma mutação específica e o conhecimento de seu mecanismo, porque pode ter potencial para um tratamento personalizado do diabetes”. Esta mutação particular parece desempenhar um papel fundamental em 1% dos adultos diabéticos.