DNA de gêmeos mostra que genes têm papel menos decisivo na esclerose

Pesquisa não encontrou associações genéticas para a doença autoimune, sugerindo que problema esteja muito associado ao ambiente.

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28 Abril 2010 | 18h11

Teoria de que esclerose múltipla é desencadeada por infecção viral é defendida por muitos pesquisadores.

Teoria de que esclerose múltipla é desencadeada por infecção viral é defendida por muitos pesquisadores.

Um novo estudo financiado pela Instituto Nacional de Saúde dos EUA sugere que a esclerose múltipla, doença autoimune que ataca o sistema nervoso central, pode estar muito mais associada ao ambiente do que características genéticas. Os pesquisadores analisaram gêmeos idênticos para buscar pistas que expliquem por que univitelíneos (gêmeos formados a partir de um único óvulo) podem ter destinos diferentes ao longo da vida.

Embora se saiba que gêmeos idênticos possam apresentar sutis diferenças genéticas, sabe-se o risco para um irmão desenvolver a doença se o outro já desenvolveu é de um para quatro. Esta porcentagem indica um forte componente genético. Entretanto, deixa espaço para fatores ambientais de risco. Os resultados da pesquisa foram incapazes de mostrar uma causa genética para o problema.

“Até agora, isto representa a análise mais completa do genoma de gêmeos com a doença autoimune”, explica Ursula Ult, diretora do programa de desordens neurológicas do NIH. “Os resultados são interessantes não só para a esclerose múltipla, mas para todos os estudos que dependem de gêmeos para investigar o que é inato e o que é adquirido em doenças complexas”.

Uma teoria bastante discutida atualmente é a de que a esclerose múltipla seja desencadeada por uma infecção viral, causando reações imunológicas exageradas do corpo. Como cada pessoa apresenta um código genético único, algumas pessoas podem estar mais propensas ao problema.

Análises do genoma mostraram que os gêmeos podem possuir diferenças surpreendentes, embora nenhuma delas esteja relacionada à esclerose múltipla. “Encontramos muitos casos em que um desequilíbrio alélico foi maior em um dos gêmeos do que no outro”, ressalta Sergio Barazinan, professor de neurologia da Universidade da Califórnia em São Francisco. “Estas diferenças foram inesperadas e é provável que sejam de interesse em estudos futuros com gêmeos, se o foco for esclerose múltipla ou outras doenças”.

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