Confirmada a mais antiga "produtora de vinho" já encontrada

Confirmada descoberta da mais antiga instalação de produção completa de vinho já encontrada. O local remonta a cerca de 4100 a.C.

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12 Janeiro 2011 | 11h58

Arqueólogo Levon Petrosyah contempla o local de produção de vinho descoberto pela equipe de Boris Gasparyan, Gregory Areshian e Ron Pinhasi. Crédito: Hans Barnard – UCLA.

Arqueólogo Levon Petrosyah contempla o local de produção de vinho descoberto pela equipe de Boris Gasparyan, Gregory Areshian e Ron Pinhasi. Crédito: Hans Barnard – UCLA.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos EUA, confirmaram a descoberta da mais antiga instalação de produção completa de vinho já encontrada – incluindo sementes de uva, videiras secas, restos de uva, cuba de argila para fermentação, e até mesmo uma tigela e um copo para beber. O local remonta a cerca de 4100 a.C., mil antes antes das descobertas mais antigas relacionadas à bebida até então.

O local foi descoberto por uma equipe de armênios, norte-americanos e irlandeses na mesma caverna misteriosa da Armênia onde antes se encontrou sapatos antigos de couro. “Pela primeira vez, temos um quadro arqueológico completo da produção de vinho, há 6100 anos”, diz Gregory Areshian, co-diretor das escavações e diretor assistente do instituto de arquelogia da UCLA.

Caverna

A descoberta, em 2007, do que parecia sementes de uva inspirou os pesquisadores a escavarem o Areni-1, um complexo de cavernas localizado em um cânion onde as pequenas montanhas do Cáucaso se agrupam no extremo norte da cordilheira de Zagros, perto da fronteira sul da Armênia com o Irã. A gruta fica fora de uma pequena aldeia ainda conhecida pelo vinho e atividades relacionadas com a bebida.

Análises de radiocarbono da UC Irvine e Universidade de Oxford dataram a instalação e artefatos entre 4100 e 4000 a.C. – ou fim do Período Calcolítico, conhecido como Idade do Cobre.

Os arqueólogos encontraram uma bacia rasa feita de barro prensado medindo cerca de 3 metros por 3 e meio. Rodeada por um aro grosso que teria contido sucos que fariam escorrer o conteúdo para outra cuba. “As pessoas obviamente pisavam nas uvas com os pés, do jeito que foi feito em todo o Mediterrâneo”, diz Areshian. A cuba com pouco mais de 2 metros de altura conseguiria abrigar entre 14 e 15 litros de líquido. A equipe descobriu ainda um copo cilíndrico feito de algum tipo de chifre de animal e uma tigela de beber de barro.