Antigos núbios consumiam regularmente tetraciclina na cerveja

Velho de guerra: descoberta é uma forte evidência de que a “arte” de fazer antibióticos já era praticada há cerca de 2 mil anos.

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31 Agosto 2010 | 11h38

Figuras egípcias mostram trabalhadores de moagem, panificação e fermentação de grãos para fazer pão e cerveja. Crédito: Wikipedia Commons.

Figuras egípcias mostram trabalhadores de moagem, panificação e fermentação de grãos para fazer pão e cerveja. Crédito: Wikipedia Commons.

Uma análise química dos ossos de antigos núbios – grupo étnico originário do norte do Sudão – mostra que eles consumiam regularmente tetraciclina na cerveja. A descoberta é uma evidência forte de que a “arte” de fazer antibióticos (cuja invenção oficial é associada à descoberta da penicilina em 1928) era praticada há cerca de 2 mil anos.

A pesquisa, liderada pelo antropólogo George Armelagos e químico médico Mark Nelson, da Universidade Emory e Paratek Pharmaceuticals, respectivamente, foi publicada no Americanl Journal of Physical Anthropology.

“Nós tendemos a associar medicamentos que curam doenças com a medicina moderna”, diz Armelagos. “Mas está se tornando muito claro que populações pré-históricas usavam evidências empíricas para desenvolver agentes terapêuticos. Não tenho dúvidas de que eles sabiam o que estavam fazendo”.

Em 1980, o pesquisador encontrou os primeiros vestígios de tetraciclina em ossos humanos da Núbia, datados entre 350 e 550. A equipe então vinculou a substância à cerveja, fermentada por bactérias Streptomyces, que produz tetraciclina. Dissolvendo ossos com fluoreto de hidrogênio, os pesquisadores conseguiram observar que o organismo destes indivíduos estava saturado com a tetraciclina, convencendo a equipe de que o seu consumo não era “acidental”.

Além disso, a equipe também descobriu que a tíbia e o crânio de um menino de quatro anos estavam cheias de tetraciclina, sugerindo que a criança estava recebendo altas doses da substância com o intuito de ser curada.

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