Anticorpos podem bloquear principal porta de entrada do vírus da aids

Conjunto pode se ligar a células brancas do sangue, fazendo com que elas secretem substâncias que impedem o encaixe do vírus HIV.

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05 Abril 2010 | 18h01

O corpo geralmente reage imediatamente a uma infecção. O vírus da aids, no entanto, camufla a invasão, fazendo com que o organismo comece a reagir muito tarde.

O corpo geralmente reage imediatamente a uma infecção. O vírus da aids, no entanto, camufla a invasão, fazendo com que o organismo comece a reagir muito tarde.

Cientistas da Duke Medicine, nos EUA,  identificaram um conjunto de anticorpos naturais que pode bloquear uma das principais portas de entrada do vírus da aids no organismo. A descoberta pode aprofundar o entendimento a respeito do sistema imunológico contra o HIV, fornecendo uma abordagem nova para a concepção de uma vacina.

Há anos pesquisadores tentam encontrar uma maneira de fazer o corpo reagir ao HIV. Na maioria das infecções, o corpo responde quase que instantaneamente à presença de patógenos invasores. Mas o vírus da aids parece camuflar a invasão, fazendo com que os anticorpos não reajam ao ataque durante semanas (ou até mesmo meses) após a infecção inicial. Tarde demais para ser eficaz.

“A importância destes anticorpos identificados – chamados anticorpos antifosfolipídeos polireativos – é que eles são tão muito potentes contra o tipo de vírus que aparece durante a infecção da mucosa”, explica Anthony Moody, principal autor do estudo. “Nossa pesquisa sugere que seja possível aproveitar a atividade antiviral destes anticorpos com a criação de uma vacina que combata o HIV diretamente”.


Os pesquisadores realizaram diversos exames em laboratório usando sangue obtido de pacientes infectados pelo HIV e de pessoas saudáveis. As experiências mostraram que quando esses anticorpos se ligam aos monócitos (também chamados de células brancas do sangue, compõem cerca de 6% dos leucócitos do corpo e podem, caso os neutrófilos falhem na tarefa de “engolir” invasores, se diferenciar em macrófagos), faz com que eles secretem substâncias conhecidas como quimiocinas – que bloqueiam o encaixe do vírus HIV na sua “porta” favorita: o receptor CCR5.

Apesar dos resultados apontarem uma boa abordagem para a luta contra a infecção, já que atua na forma como o corpo se defende e não propriamente atacando os invasores, a atividade antiviral ocorreu em apenas 85% dos casos, e apenas na presença de monócitos. O próximo passo é analisar os resultados em ensaios clínicos.

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