Antropólogo descobre no Texas novo gênero de primata

O Mescalerolemur horneri assemelharia-se a um pequeno lêmure com estreita relação evolutiva com primatas da Eurásia e África.

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16 Maio 2011 | 14h41

Mandíbula parcial superior (em duas partes, à esquerda) e maxilar inferior parcial (à direita). Crédito: University of Texas at Austin.

Mandíbula parcial superior (em duas partes, à esquerda) e maxilar inferior parcial (à direita). Crédito: University of Texas at Austin.

Um antrópologo da Universidade do Texas em Austin, nos EUA, anunciou a descoberta de uma espécie até então desconhecida de um fóssil primata, o Mescalerolemur horneri, que viveu durante a época do Eoceno, cerca de 43 milhões de anos atrás.

O Mescalerolemur é membro de um grupo de primatas extintos, os adapiformes, que viveram em diversos sítios do hemisfério norte durante o Eoceno. Assemelharia-se a um pequeno lêmure e, assim como o Mahgarita stevensi, um fóssil encontrado na mesma região em 1973, está mais relacionado aos adapiformes da Eurásia e África do que os da América do Norte.

“Estes primatas do Texas são diferentes de qualquer outro primata da comunidade de primatas do Eoceno já encontrados em termos de espécies que representam”, diz Chris Kirk, responsável pela descoberta. “A presença do Mascalerolemur e o Mahgarita, que foram encontrados apenas na região do Big Bend no Texas, vem depois dos mais comuns adapiforms do Eoceno da América do Norte tornarem-se extintos”. Os dados são uma evidência de que houve um intercâmbio de fauna entre a América do Norte e o Leste da Ásia durante o Eoceno Médio.

Até o fim do Eoceno, os primatas e outras espécies tropicais adaptadas tinham praticamente desaparecido da América do Norte devido ao esfriamento climático. Portanto, a descoberta parece ser a amostra da última explosão de diversidade destes primatas na América do Norte. Com latitudes mais baixas e clima mais equilibrado, o oeste do Texas oferecia a espécies adaptadas uma chance maior de sobrevivência quando o resfriamento começou.

Sorriso do lêmure

Marie Butcher, que depois se gradou em antropologia e biologia pela Universidade do Texas em Austin, teria encontrado em 2005 o primeiro dente isolado do Mescalerolemur. Desde aquela época, muitos outros fósseis foram encontrados. “Esta localidade é de 3 a 4 milhões de anos mais velha que os sedimentos de Dvil’s Graveyard que apontaram previamente o Mahgarita stevensi”, afirma Kirk. “Inicialmente, pensei que tivéssemos encontrado uma nova e menor espécie do Mahgarita”.

Entretanto, conforme os pesquisadores foram estudando o que encontravam, chegaram à conclusão de que o achado representava não apenas uma nova espécia, mas um novo gênero até então desconhecido pela Ciência. Os fósseis revelavam que se tratava de um primata de pequeno porte, pesando apenas cerca de 370 gramas – peso semelhante ao menor lêmure vivo hoje.

A anatomia dental também mostrou uma estreita relação evolutiva com os primatas adapiformes da Eurásia e da África, incluindo o Darwinius masillae (que já alegaram ter sido um ancestral humano). Contudo, a descoberta do Mescalerolemur fornece uma evidência adicional de que os primatas adapiformes como o Darwinius estão mais estritamente relacionados com os lêmures do que com os humanos.