Arqueólogos descobrem túmulo real Maia com 1600 anos na Guatemala

A tumba está repleta de esculturas, cerâmicas, artigos têxteis e ossos de seis crianças que foram sacrificadas para o funeral.

taniager

16 Julho 2010 | 14h10

Os artefatos descobertos no túmulo antigo foram preservados por cerca de 1.600 anos. Crédito: Arturo Godoy.

Os artefatos descobertos no túmulo antigo foram preservados por cerca de 1.600 anos. Crédito: Arturo Godoy.

Uma equipe de arqueólogos da Universidade de Brown, EUA, descobriu um túmulo real Maia na Guatemala datando cerca de 350 a 400 D.C. A notícia sobre a descoberta ocorrida em maio deste ano foi divulgada quinta-feira durante uma conferência de imprensa neste país.

O túmulo muito bem preservado pertence a um antigo rei Maia e foi encontrado sob a pirâmide El Diablo na cidade de El Zotz. Ele  está repleto de esculturas, cerâmicas, artigos têxteis e os ossos de seis crianças que foram sacrificadas para o funeral.

A descoberta se deu quando a equipe liderada por Stephen Houston estava escavando um pequeno templo localizado em frente a uma estrutura dedicada ao deus Sol, um símbolo de distinção de poder Maia.

Ao cavarem um poço na pequena câmara do templo, os arqueólogos encontraram uma série de depósitos empilhados verticalmente em camadas de pedras alternadas por lama. Segundo Houston, foi esta disposição “que manteve o túmulo tão intacto e hermético”.

Dentro do primeiro depósito foram encontradas taças vermelho-sangue contendo dedos e dentes humanos envolvidos em uma substância orgânica. Nos depósitos seguintes foram encontrados vários objetos como peças em madeira, tecidos, finas camadas de estuque pintado, cordas, tudo exibido em “uma explosão de cores em todas as direções: vermelha, verde, amarela…”, discorre Houston.   “Para meu espanto, ainda havia um cheiro de putrefação…” prosseguiu ele explicando que a câmara tinha sido tão bem vedada que nenhum ar ou água puderam entrar durante os mais de 1600 anos.

Olhando para o túmulo pela primeira vez, os arqueólogos viram “uma explosão de cores em todas as direções – vermelha, verde, amarelo... Estes itens são riquezas artísticas, extraordinariamente preservadas de um momento chave na história Maia”. Crédito: Arturo Godoy.

Olhando para o túmulo pela primeira vez, os arqueólogos viram “uma explosão de cores em todas as direções – vermelha, verde, amarelo... Estes itens são riquezas artísticas, extraordinariamente preservadas de um momento chave na história Maia”. Crédito: Arturo Godoy.

A tumba, que mede cerca de dois metros de comprimento por um metro e vinte centímetros de largura, foi construída para abrigar o corpo de um adulto masculino e os corpos e dois crânios de seis crianças. O sexo do adulto ainda é uma suposição a ser confirmada pelo analista de ossos, o professor de antropologia Andrew Scherer da Universidade de Brown.

Mas Houston acredita que o túmulo pertença a um rei do qual teve conhecimento através dos textos grafados em hieróglifos encontrados.

“Pela localização, tempo, riqueza e repetição de padrões de construção em cima da tumba, acreditamos que seja de um fundador de uma dinastia”.

Tudo leva a crer que o sepultamento foi acompanhado por um ritual de dança – muitos sininhos de conchas com caninos de cães para produzir sons, entre outras evidências, foram encontrados. Fazendo conjecturas, o arqueólogo também chama a atenção para os elaborados ornamentos de cabeça gravados com pequenos hieróglifos e uma lâmina sacrifical coberta por um resíduo orgânico vermelho, a qual, provavelmente, estaria nas mãos do morto.

Túmulos como este são muito ricos em informações, que levam anos para serem decifradas.

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