Artrópode terrestre que vive a dois quilômetros de profundidade usa antena para ‘ver na escuridão’

Artrópode terrestre que vive a dois quilômetros de profundidade usa antena para ‘ver na escuridão’

Da redação

23 Fevereiro 2012 | 10h29

Um mundo desconhecido pode realmente existir sob os nossos pés. Durante uma expedição realizada em 2010 na caverna mais profunda do mundo, a Krubera-Voronja (localizada em uma remota região do Cáucaso e se estendendo a mais de dois quilômetros abaixo do solo), uma equipe de pesquisadores espanhóis, portugueses e russos encontrou quatro novas espécies de colêmbolos – um grupo de pequenos artrópodes com seis patas e parentes próximos dos insetos – vivendo em condições muito improváveis de existência: ausência total de luz e pouquíssima oferta de alimentos. Uma delas, nomeada de Plutomurus ortobalaganensis (imagem acima), foi coletada a 1.980 da superfície do solo, consagrando-se o artrópode ‘mais profundo’ até hoje descrito. Antes, era um exemplar coletado a apenas 550 metros de profundidade que detinha o título. As outras três espécies encontradas receberam os seguintes nomes: Anurida stereoodorata (imagem abaixo), Deuteraphorura kruberaensis e Schaefferia profundísima.

Não se sabe ao certo quantas espécies ainda são desconhecidas para o homem (as estimativas variam entre 600 mil a 4 milhões), fazendo com que a descoberta de novos exemplares não seja tão surpreendente assim. Contudo, os quatro artrópodes descritos recentemente chamam a atenção porque podem dar pistas de como os animais se adaptaram ao longo de milhares de anos, desenvolvendo morfologias específicas para se adaptar à vida subterrânea. Para se ter ideia, esses animais não possuem pigmentação no corpo nem olhos. Uma das espécies é guiada na escuridão por uma antena altamente especializada capaz de captar informações do escasso entorno. Para sobreviver, esses minúsculos animais de poucos milímetros se alimentam do fungo que cresce nas cavernas, contribuindo com a decomposição da matéria orgânica.

Um artigo sobre o trabalho aparece no periódico científico especializado Terrestrial Arthropod Reviews, publicado pela Brill, e pode ser acessado pelo seguinte link: http://booksandjournals.brillonline.com/content/10.1163/187498312×622430.  (Crédito das imagens: cortesia de Enrique Baquero/Universidade de Navarra)

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