Aparências enganam, mas influenciam fortemente as eleições

Cientistas políticos mostram que aparência dos candidatos pode levar a resultados surpreendentes (ou nem tanto) em eleições.

taniager

21 Julho 2010 | 12h04

Cientistas políticos do MIT mediram o efeito que a aparência de candidatos tem no resultado das urnas. Crédito: cortesia de MIT.

Cientistas políticos do MIT mediram o efeito que a aparência de candidatos tem no resultado das urnas. Crédito: cortesia de MIT.

Que ele tem “cara” de vencedor, ele tem. Mas, isso seria suficiente para você escolher esta pessoa em uma votação?  No Brasil, a ideia parece corriqueira. No entanto, uma pesquisa realizada por cientistas políticos do Massachusetts Institute of Technology mostra que este comportamento pode ser observado além da terrinha verde e amarela.

A equipe mostrou fotos de candidatos de eleições reais realizadas no Brasil e no México para eleitores dos EUA e Índia. Ao serem questionadas sobre qual candidato deveria ganhar a disputa, as pessoas escolheram os mesmos candidatos – independente do país em que viviam. Mais: estas escolhas correspondiam ao resultado real da competição. A atribuição pública de boa aparência é, portanto, um indicador muito importante em uma eleição.

“Desde Aristóteles, as pessoas têm escrito sobre a preocupação de que os líderes carismáticos que falam bem e com bom aspecto podem influenciar votos mesmo se eles não compartilham visões do povo,” reconhece Gabriel Lenz, professor associado no departamento de ciências políticas no MIT e co-autor do estudo.

Subjetividade na “boa aparência”?

De acordo com a pesquisa, pessoas no mundo todo têm ideias similares sobre como “aparenta” um bom político. “Nós estávamos um pouco chocados pelas pessoas nos Estados Unidos e na Índia terem previsto tão facilmente os resultados das eleições no México e no Brasil com base apenas em uma breve exposição das faces dos candidatos,” diz Lenz. “Os norte-americanos e os indianos são de culturas diferentes, com diferentes histórias e tradições políticas diferentes”.

Ao todo, foram mostradas pares de candidatos de 122 eleições realizadas no México e Brasil. Os entrevistados da Índia e dos EUA expuseram a mesma opinião em 75 % das vezes que foram interrogados sobre qual candidato parecia superior; um grupo de entrevistados dos EUA e do México também demonstrou a mesma opinião, cerca de 80% das vezes.

Por sua vez, saber simplesmente quais candidatos os participantes julgam ter uma aparência superior permite aos pesquisadores prever corretamente o vencedor em 68% das eleições mexicanas e 75% de algumas eleições brasileiras. “Estes são efeitos muito grandes,” observam os autores no artigo “Parecendo como um Vencedor: Aparência do Candidato e Sucesso Eleitoral em Novas Democracias,” publicado na revista World Politics hoje.

Veja também:

Escolha de parceiro é fortemente influenciada pela opinão de estranhos
Renda maior traz satisfação maior, mas NÃO garante felicidade
Estudos mostram que solidão pode levar a problemas graves de saúde
Boas ações são estimuladas por observação de quem faz “o bem”
Ciência pela beleza: nas grandes cidades, ser atraente é fundamental