Assinatura no gene pode indicar se câncer é resistente à quimioterapia

Algumas células cancerígenas são resistentes ao método convencional, mas podem ter uma abordagem diferente se o médico identificar a marca.

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27 Janeiro 2010 | 13h46

Cancros resistentes a antraciclinas podem ser sensíveis a outros agentes e descoberta pode facilitar análise do tumor para tratamento personalizado.

Cancros resistentes a antraciclinas podem ser sensíveis a outros agentes e descoberta pode facilitar análise do tumor para tratamento personalizado.

Quem já teve câncer de mama sabe como é angustiante viver com medo de ter uma recorrência da doença. Mas o trabalho de pesquisadores da Harvard no Dana-Farber Cancer Institute pode ajudar os pacientes no futuro: uma espécie de assinatura na atividade do gene que foi descoberta é capaz de indicar se uma pessoa que foi tratada com quimioterapia tem um alto risco de voltar a sofrer com a doença.

Apesar da resistência às drogas do tipo antraciclinas, o câncer de mama que carregar esta marca estará mais vulnerável a outros tipos de agentes quimioterápicos. Assim, os resultados poderiam levar a um teste genético do cancro para ajudar médicos a escolherem o melhor tratamento inicial para um paciente em particular.

Desta maneira os médicos poderiam evitar a abordagem que às vezes expõe o paciente a efeitos colaterais tóxicos de um medicamento que estaria destinado a falhar naquele indivíduo. A pesquisa mostra, acima de tudo, o potencial do tratamento personalizado do câncer – optando por uma abordagem diferente em relação às características moleculares do tumor em um paciente.

Os pesquisadores realizaram os estudos procurando traços moleculares em tumores de pacientes que sofrem recaídas após o processo de cirurgia e quimioterapia, enquanto outros ficam bem por muitos anos.

A pesquisa, liderada por Andrea Richardson e Zhigang Charles Wang, identificou dois genes que, em atividades anormais, davam resistência às células cancerígenas sob efeito da antraciclina. Os cientistas usaram amostras de câncer de mama armazenadas de 85 pacientes e encontraram essa assinatura genética, associada à resistência,  em uma de cada cinco amostras. Os relatórios apontam que quem tinha esta marca genética teve uma resposta ruim em relação aos demais sem a assinatura do gene.

Contudo, a superexpressão – produzindo quantidades anormais de proteína – desses dois genes não protegeu contra a multiplicação das células em laboratório em relação a outros tipos de drogas, incluindo paclitaxel e cisplatina. Os resultados sugerem que tumores resistentes a antraciclinas podem ser sensitivos a outros agentes, uma maneira que pode ser usada como teste para escolher a terapia ideal para cada paciente.

Um tratamento baseado nestas descobertas não é difícil de ser desenvolvido, garantem os pesquisadores, podendo se tornar realidade em menos de dois anos.