Astrônomos captam nova imagem em 3D da Cassiopeia A

Nova tecnologia utilizada é simples, mas poderosa, permitindo a um grupo de astrônomos observar explosão estelar de vários ângulos.

taniager

31 Março 2010 | 16h49

Imagem da suprnova Cassiopeia A localizada na Constelação de Cassiopeia. Crédito: cortezia do HARVARD-SMITHSONIAN CENTER

Imagem dos resíduos da Cassiopeia A (Cas A). As regiões vermelha, verde e azul na imagem de raios-X da “Cas A” mostram onde a intensidade de energia de raios-X – baixa, média e alta, respectivamente – é maior. Embora esta foto mostre os restos da estrela que explodiu, ecos de luz nos mostram a luz refletida da própria explosão. Crédito: NASA / CXC / MIT / UMass Amherst / MDStage et al.

A nova tecnologia utilizada é simples, mas poderosa. Permitiu a um grupo de astrônomos da Universidade de Harvard, EUA, observar uma explosão estelar, ou supernova, de vários ângulos. Esta é a primeira vez que um fenômeno ocorrido no espaço pôde ser visto de uma perspectiva extraterrestre.

Os telescópios captam as imagens de apenas uma das várias faces que um fenômeno pode apresentar, isto é, a única possível quando observada a partir do nosso sistema solar.  Mas agora, um mesmo fenômeno pode ser visto a partir de diferentes lugares.

Os astrônomos conseguiram observar recentemente os rastros deixados pela Cassiopeia A, uma supernova existente na constelação de Cassiopeia. Ela foi formada a cerca de onze mil anos-luz da Terra, na Via Láctea, e sua luz passou sobre o nosso planeta há 330 anos. Mas a luz continuou sua trajetória por um caminho mais longo e, refletida pelas nuvens de poeira interestelar como em um espelho, pode ser vista agora por nós.  


O fundamento da nova técnica está no conceito de eco, levando em consideração a luz no lugar do som.  Como o eco (ondas de som que chegam aos nossos ouvidos, refletidas pelas paredes em uma caverna) a luz é refletida para a Terra pela poeira interestelar – como ecos de luz vindos de diferentes direções, conforme a localização das nuvens de poeira.   

As nuvens de poeira interestelar agem como espelhos de 360º. Assim, é possível obter as imagens dos diferentes lados da supernova. Isto porque o tempo que uma onda de luz leva para ir e voltar depende da localização que ela atinge na poeira.  As ondas de luz refletidas dos diferentes pontos chegam até nós como imagens das diversas faces da supernova – facilita a composição da imagem em 3-D -, centenas de anos após ela ter desaparecido.

Ao estudar os ecos de luz da supernova, a equipe descobriu que a explosão não aparentava a expansão em forma de escudo redondo, como acontece em fogos de artifício.  Os astrônomos constataram que havia sinais de gás da explosão estelar em direção a um ponto determinado deslocando-se a uma velocidade quase 4 mil quilômetros por segundo maior que outros sinais que se dirigiam a outros pontos.

O achado da equipe confirma um estudo anterior. Por exemplo: a estrela de nêutron criada quando o núcleo da estrela entrou em colapso está aumentando sua velocidade através do espaço para quase 1,3 milhões de quilômetros por hora em direção oposta a um único eco de luz. A explosão pode ter empurrado o gás para um lado e a estrela de nêutrons para o outro (a consequência da terceira lei de Newton do movimento, que afirma que cada ação tem uma reação igual e oposta).

Ao combinar as medições do novo eco de luz e do movimento da estrela de nêutrons com os dados de raio-x dos resíduos da supernova, os astrônomos montaram  a imagem em 3-D que lhes rendeu uma nova noção da supernova Cassiopeia  A. Ela se localiza a 16 mil anos luz da Terra e contém matéria a temperaturas de cerca de 32 milhões de graus Celsius, que a faz brilhar no raio-X.  

O telescópio de 4 metros Mayall no Observatório Nacional Kitt Peak foi usado para localizar os ecos de luz. A sequência espectral foi obtida com o telescópio Keck I de 10 metros.

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