Astrônomos descobrem bolas de carbono no espaço

Denominadas "buckyballs", estas bolas já haviam sido observadas em laboratório há 25 anos, mas nunca no espaço.

taniager

23 Julho 2010 | 12h58

O telescópio especial Spitzer encontrou buckyballs no espaço, como ilustradas pela concepção artística que mostra as bolas de carbono saindo de um tipo de objeto onde foram encontradas. Crédito: NASA/JPL-Caltech.

O telescópio especial Spitzer encontrou buckyballs no espaço, como ilustradas pela concepção artística que mostra as bolas de carbono saindo de um tipo de objeto onde foram encontradas. Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Um chute violento pode mandar uma bola “para o espaço”, mas ele já está repleto delas, literalmente. Astrônomos descobriram, recentemente, moléculas de carbono em forma de bolas quando utilizavam o telescópio espacial Spitzer da NASA. Denominadas de “buckyballs”, elas já haviam sido observadas em laboratório há 25 anos, mas embora eles acreditassem que elas poderiam existir no espaço, nunca foram encontradas até o momento.

As buckballs são feitas com 60 átomos de carbono arranjados em uma estrutura esférica de três dimensões.  Seus padrões alternados de hexágonos e pentágonos são muito parecidos com as bolas de futebol de gomos pretos e brancos.

“Nós encontramos o que é agora conhecida como a maior molécula existente no espaço”, disse Jan Cami da Universidade de Western Ontário, Canadá e do Instituto SETI da Califórnia. “Estas moléculas têm propriedades únicas que as fazem desempenhar um papel importante em todo tipo de processos físicos e químicos que acontecem no espaço”.

Estes dados do telescópio especial Spitzer mostram as assinaturas de

Estes dados do telescópio especial Spitzer mostram as assinaturas de "buckyballs" no espaço. Crédito: cortesia da NASA/JPL-Caltech/Universidade de Western Ontário.

Os pesquisadores também encontraram “parentes” mais alongados das buckyballs, moléculas conhecidas como C70 – constituídas por 70 átomos de carbono e mais parecidas com a bola de futebol americano. Ambos os tipos de moléculas pertencem a uma classe conhecida oficialmente como fulereno – terceira forma mais estável do carbono, após o diamante e o grafite.

As buckyballs foram encontradas na nebulosa Tc 1, uma nuvem remanescente de uma estrela rica em carbono. Os astrônomos usaram o instrumento de espectroscopia do Spitzer para analisar a luz infravermelha da nebulosa planetária e ver as assinaturas espectrais destas bolas. Estas moléculas têm aproximadamente a temperatura ambiente – a temperatura ideal para se desprender de padrões distintos de luz infravermelha que o Spitzer detecta. De acordo com Cami, o telescópio olhou para o lugar certo na hora certa.

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